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24.10.2017 | 14h46
Cabo da PM diz que juíza lhe relatou suposto plano para matá-la
Gérson Correa disse criou outra versão para "poupar" magistrada como fonte da denúncia
Alair Ribeiro/MidiaNews
O cabo PM Gérson Correa, durante interrogatório na 7ª Vara de Cuiabá
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O cabo PM Gérson Correa, réu na ação penal que apura o escândalo dos grampos ilegais operado em Mato Grosso, revelou que a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, revelou pessoalmente a ele a existência de uma suposta ameaça de atentando contra sua vida.

A revelação teria sido feita no gabinete da magistrada em 2015.

Segundo o policial, que naquela época atuava no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), foi criada uma “estória cobertura” para interceptar os suspeitos da trama, que seriam pessoas ligadas ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-deputado José Riva. O objetivo era “poupar” Selma como fonte da denúncia.

A afirmação consta em interrogatório prestado no último dia 16 de outubro aos delegados Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldener, que conduziam as investigações das interceptações clandestinas.

“Em agosto de 2015 eu fui convocado pelo promotor Marco Aurélio de Castro, coordenador do Gaeco para comparecer até o gabinete da juíza Selma. Antes, porém

Imediatamente fui até o gabinete da juíza Selma, conversei com ela sozinho, ela me passou o nome de algumas pessoas que poderiam estar envolvidos nessa ameaça, eram pessoas ligadas ao ex-governador Silval Barbosa e ao ex-deputado José Riva”

ele me informou que a magistrada tinha uma informação de uma ameaça contra a vida dela e que iria ser instaurado um procedimento investigatório no Gaeco para apurar essas denúncias”, disse.

“Imediatamente fui até o gabinete da juíza Selma, conversei com ela sozinho. Ela me passou o nome de algumas pessoas que poderiam estar envolvidas nessa ameaça, eram pessoas ligadas ao ex-governador Silval Barbosa e ao ex-deputado José Riva”, completou.

Conforme o cabo, Selma Arruda disse que ficou sabendo do suposto atentando através de uma servidora lotada no gabinete de outro magistrado.

“Que essa pessoa tomou conhecimento dessa situação num ambiente rural. Segundo essa pessoa, tinha muitos homens conversando e entre eles alguns ligados a essas políticos”, disse.

Assim que saiu do gabinete da juíza, Gérson Correa informou que retornou ao Gaeco e repassou o caso para o promotor Marco Aurélio, que por sua vez determinou, segundo ele, que fosse criada a “estória cobertura”.

“Ele [promotor] determinou que criasse um cenário relatando essa situação e incluísse os telefones dos suspeitos da suposta ameaça. E assim foi feito, fiz um relatório, criei o cenário e inclui os números de algumas pessoas”, revelou.

O cabo disse não ter certeza se a magistrada tinha conhecimento da “estória cobertura”.

“Que eu saiba ela [Selma Arruda] tratou isso com os promotores.  Não sei se ela ficou sabendo que iria ser criado, mas de fato eu criei essa história e relatei”, disse.

Entre os interceptados pelo Gaeco estavam a deputada Janaina Riva (PMDB), o empresário Filadelfo dos Reis Dias e o jornalista Antônio Carlos Millas.

“Mas, em que pese o cadastro estivesse atrelado à pessoa da Janaina Riva, foi me repassado que o telefone era utilizado pelo senhor José Riva. Depois ficou comprovado que nem a Janaina e nem o José Riva utilizava aquele número”, afirmou.

Gerson Correa pontuou que as interceptações ocorreram durante um mês.

“Não tinha nenhuma ameaça, alguns telefones eram das pessoas citadas no relatório realmente, mas nenhuma ameaça, nada que pudesse levar a adoção de outras medidas”, finalizou.

Veja os vídeos: 

Outro lado

Na semana passada, Selma Arruda afirmou que Gérson plantou essa acusação a fim de "tumultar" as investigações e "desmoralizar" o Ministério Público Estadual (MPE) e a Justiça. 

“Também acho que tem alguém por trás disso tudo pretendendo lucrar com isso, mas não vai conseguir. Eu trabalho com a verdade e contra a verdade não há argumento”, afirmou.

A magistrada, porém, não revelou quem estaria querendo lucrar com o depoimento.

Leia mais: 

Cabo diz que promotor e juíza criaram trama para justificar grampo

Juíza afirma que há "alguém por trás" de acusação feita por cabo


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