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J. Estadual / “DESCONHEÇO MENSALINHO”

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07.08.2017 | 14h12
“Muitas delações são forçadas, mal negociadas ou falsificadas”
Guilherme Maluf nega saber de repasses a deputados, conforme denúncia de Silval Barbosa
Arquivo
O deputado estadual Guilherme Maluf, que negou ter recebido delação
DOUGLAS TRIELLI E KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

O deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) disse desconhecer o pagamento de mensalinho nas gestões dos ex-governadores Blairo Maggi (PP) – hoje ministro da Agricultura – e Silval Barbosa (PMDB) para apoio da Assembleia Legislativa.

A denúncia deve constar na delação premiada de Silval, segundo revelou reportagem do jornal Folha de São Paulo na semana passada.

“Eu desconheço isso. Talvez tenha ocorrido alguns acordos políticos, que é diferente de mensalinho. Acordo político é favorecimento em cargos, emendas parlamentares, entre outros. Mas mensalinho, não”, disse o tucano, que estava na Assembleia à época em que teriam ocorrido os pagamentos.

O tucano disse que irá esperar que o ex-governador apresente as provas de suas denúncias. Segundo a Folha, o peemedebista teria um vídeo que mostra parlamentares recebendo dinheiro em espécie.

Deve haver uma harmonização nessas delações. Muitas delas são forçadas, mal negociadas, muitas são falsificadas para terem benefício

“É o que tenho dito. As pessoas estão falando muito para se salvar, para jogar responsabilidade sobre os outros. Vamos ver as provas que ele tem para apresentar contra os deputados da Assembleia”, afirmou.

Maluf ainda criticou o instituto da colaboração premiada. Para ele, alguns usam de mentiras para se beneficiar.

“Deve haver uma harmonização nessas delações. Muitas delas são forçadas, mal negociadas, muitas são falsificadas para terem benefício. Por isso que digo que essa harmonização tem que acontecer. O Poder Judiciário deve entrar em uma fase de discussão dessas delações”, afirmou.

“O Legislativo do Brasil inteiro está sendo denunciado. O que está arranhando é o sistema político. E eu defendo uma completa transformação do sistema político do Brasil. Todos nós que estamos em mandato fomos frutos de um modo de fazer política que, acredito, não cabe mais”, completou.

A delação

Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada na sexta-feira (4), revelou tópicos da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa.

Segundo a publicação, são alvos o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, os senadores Wellington Fagundes e Cidinho Santos (suplente de Maggi), ambos do PR de Mato Grosso, pelo menos três deputados federais com mandatos em curso, cujos nomes a reportagem não identificou.

O ex-governador também cita repasses a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Segundo o jornal paulista, Blairo Maggi participou de um esquema na época em que era governador de Mato Grosso, para liberar dinheiro de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) em troca do apoio de parlamentares do Estado.

Segundo a reportagem, Silval entregou ainda um vídeo que mostra parlamentares recebendo dinheiro em espécie.

Leia mais sobre o assunto:

Silval delata Maggi e entrega vídeo com repasses a deputados


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