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17.05.2017 | 17h50
Nadaf explica divisão de propina de R$ 3,5 milhões
Esquema foi desbaratado na Operação Seven 2, deflagrada pelo Gaeco em junho de 2016
Marcus Mesquita
O ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, que detalhou divisão de propina
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Em depoimento prestado à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf detalhou como foi realizada a divisão da propina referente à compra, pelo Estado, de uma área rural de 727 hectares na região do Manso.

O esquema foi desbaratado durante a duas fases da Operação Seven, em 2015 e 2016, e teria causado prejuízo de R$ 7 milhões aos cofres públicos.

A área de terra, segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), já pertencia ao Estado e teria sido adquirida novamente do médico Filinto Corrêa da Costa, com valor superfaturado em R$ 4 milhões.

Em seu depoimento, Nadaf afirmou que recebeu R$ 2,150 milhões do ex-procurador do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, apontado como um dos intermediadores da propina.

Deste montante, Nadaf admitiu ter ficado com R$ 500 mil.

Segundo o ex-secretário, R$ 1,5 milhão teria sido destinado ao pagamento de “compromissos políticos” do então governador Silval Barbosa (PMDB) e R$ 150 mil ao Buffet Leila Malouf.

Este último pagamento seria referente a serviços prestados pelo buffet na realização da cerimonia de posse de SIlval.

“Houve um desvio de R$ 7 milhões, pra cobrir uma dívida de R$ 1,5 milhão. Sobrou R$ 5,5 milhões, mas de retorno (propina) teve R$ 3,5 milhões, já que parte tinha que pagar o dono do terreno”, explicou o ex-secretário em seu depoimento.

“Eu recebi do doutor Francisco R$ 2,150 milhões. R$ 1,5 milhão destinei a compromissos políticos. Fiquei com R$ 500 mil e R$ 150 mil destinei ao Buffet Leila Malouf”, afirmou Nadaf.
 
“Sumiço”

Durante o depoimento, a juíza Selma Arruda ressaltou que, dos R$ 3,5 milhões (propina limpa), R$ 2,150 milhões teriam sido destinados a Nadaf (que fez alguns pagamentos, além de ter pego parte para si).

Diante disso, a magistrada questionou o destino dos R$ 1,350 milhão restante.

Nadaf explicou que R$ 500 mil foram pagos ao ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto, que inclusive, admitiu o recebimento de propina e atualmente é delator do esquema.

Já os R$ 850 mil restantes, ele disse não ter conhecimento do que foi feito exatamente. Segundo ele, no entanto, pouco mais de R$ 100 mil teriam sido entregues ao ex-secretário de Estado de Fazenda, Marcel de Cursi.

“Dos 1,350 milhões, R$ 500 mil ficou para o Dalberto. Aí parece que uma destinação pro Marcel de R$ 100 mil e pouco, que aparece na Seven 2. O restante não tenho conhecimento”, disse.

Segundo Nadaf, a operação para a distribuição dos pagamentos restantes teria sido feita por Chico Lima.

Denúncia da Seven

Na primeira denúncia da Operação Seven, o Gaeco apurou suposto esquema que teve o intuito de autorizar o Intermat a comprar uma área rural de 727 hectares na região do Manso, que já pertenceria ao Estado e foi adquirida novamente de Filinto Corrêa, com preço superfaturado de R$ 4 milhões.

O valor pago pelo terreno, segundo o Gaeco, teria sido repartido entre os membros da alegada organização criminosa.

Desta primeira ação penal são réus: o ex-governador Silval Barbosa (PMDB); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf; o ex-secretário adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro; o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o ex-procurador do Estado, Francisco Lima, o "Chico Lima"; o ex-secretário adjunto de Mudanças Climáticas, Wilson Pinheiro Taques; o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves de Souza Neto; o  médico Filinto Corrêa da Costa; e os servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Francisval Akerley da Costa e Cláudio Takayuki Shida.

Já na 2ª denúncia da Seven, o Gaeco afirmou que os valores supostamente desviados foram maquiados para ocultar a origem ilícita.

Alguns dos cheques emitidos por Filinto Corrêa após receber o montante chegaram a ser usados, segundo o MPE, no custeio da posse do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e em parte da decoração de flores da posse do governador Pedro Taques (PSDB).

O médico Filinto Corrêa, de acordo com a denúncia, também teria tentado ocultar o montante por meio de aplicações em previdências privadas. Parte dos R$ 7 milhões também teria sido repassada aos filhos do médico (João Celestino e Filinto Júnior) e usada para a compra de uma BMW X6.

O Gaeco também rastreou a compra, por parte do procurador aposentado Chico Lima, de uma moto BMW modelo R 1200 GS branca, ano 2015/15. O veículo também teria sido adquirido com o dinheiro lucrado no esquema.

Em relação a Pedro Nadaf, o Gaeco afirmou que o ex-secretário chegou a simular a negociação de uma fazenda e a compra de um carro para ocultar a origem dos cheques emitidos pelo médico.

Teriam participado destas tratativas o diretor do Sesc em Mato Grosso, Marcos Amorim da Silva, e os empresários Roberto Peregrino Morales Filho e Antônia Magna Batista da Rocha.

Já o ex-secretário Marcel de Cursi, segundo o Gaeco, teria utilizado a empresa de sua esposa Marnie de Almeida Cláudio (a M de A Claúdio EPP) para entregar três cheques ao ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros, para que este fizesse a troca por dinheiro.

Segundo o Gaeco, João Justino tinha o conhecimento da origem ilícita dos cheques, mas, mesmo assim, procurou o empresário André Luís Marques de Souza – do ramo de factoring - para realizar a troca, por meio do depósito dos cheques na empresa de Andre Luís.

O intuito, de acordo com a denúncia, seria movimentar os cheques de tal maneira que o dinheiro voltasse “limpo” a Cursi.

Ainda na denúncia, o Gaeco apontou que Afonso Dalberto e Luciano Amaral teriam feito operação financeira para ocultar a transferência de R$ 500 mil de Filinto Corrêa, relativa à suposta propina para que o ex-presidente do Intermat colaborasse com o alegado esquema.

Nesta segunda ação penal são réus: o médico Filinto Correa da Costa e seus dois filhos, o advogado João Celestino Correa da Costa Neto e o empresário Filinto Correa da Costa Junior; o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”; os ex-secretários de Estado Pedro Jamil Nadaf e Marcel Souza de Cursi; o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros; o diretor do Sesc em Mato Grosso, Marcos Amorim da Silva;  o fazendeiro Roberto Peregrino Morales; e os empresários Luciano Cândido do Amaral, Antônia Magna Batista da Rocha e André Luiz Marques de Souza.


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