Artigos
  • NALIAN CINTRA
    A mediação é uma ferramenta de extrema relevância para a estabilidade no mundo empresarial
  • HÉLCIO CORRÊA
    Tanta tirania e distorção como falsa defesa da ordem jurídica. Aqui toda autocracia judicial tem custo alto e perigoso à democracia
  • VICTOR MAIZMAN
    É preciso que o empreendedor tenha conhecimento dos seus direitos assegurados não apenas na legislação, como na própria Constituição Federal
J. Estadual / "NÃO CAÍ NA DELES"

Tamanho do texto A- A+
17.04.2017 | 17h28
Deputado diz que estelionatários tentaram lhe dar golpe
Viana não quis revelar valores: "Queriam dinheiro para seguro e eu não aceitei"
Marcus Mesquita/MidiaNews
O deputado Zeca Viana: "queriam dinheiro para seguro e comigo eu não aceitei"
CAMILA RIBEIRO E LAURA NABUCO
DA REDAÇÃO

O deputado estadual Zeca Viana (PDT) admitiu ter sido “assediado” pela suposta quadrilha de estelionatários que teria praticado crimes pela empresa SoyGroup em todo o Estado. Os alegados golpes são investigados na Operação Castelo de Areia.

Zeca foi citado pelo empresário Teilor Seidler - que seria uma das vítimas do grupo - durante audiência da ação penal derivada da operação e que foi realizada na tarde desta segunda-feira (17).

Entre os réus da ação está o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá, João Emanuel – atualmente preso.

Além dele, são réus o irmão do ex-vereador, o advogado Lázaro Roberto Moreira Lima; o pai dos dois, o juiz aposentado Irênio Lima; os empresários Walter Dias Magalhães Júnior, sua mulher Shirlei Aparecida Matsouka Arrabal, e Marcelo de Melo Costa; o contador Evandro José Goulart; e o comerciante Mauro Chen Guo Quin.

Ao MidiaNews, o deputado Zeca Viana afirmou que a tentativa de golpe teria sido praticada pelo grupo durante uma viagem feita ao Chile.

“Fui para o Chile junto com o Teilor [Seidler]. Eu não caí na deles não. Eles queriam dinheiro para seguro e comigo eu não aceitei”, afirmou.

“Não quero falar em valor, mas achei a proposta estranha. Mas teve um pessoal que caiu”, disse o parlamentar, sem dar mais detalhes do caso.

Suposto golpe

Em audiências anteriores, o empresário Teilor Seidler contou que buscava recursos para o plantio de soja e, através de um conhecido, foi apresentado aos réus Marcelo de Melo Costa e a Walter Magalhães.

Ele revelou ter perdido no mínimo R$ 2 milhões após investir na Soy Group, empresa usada para os golpes.

"Além das viagens, cartório e estadia. Isso é no mínimo. Eu tive um prejuízo de 5 mil hectares de lavoura. Tive que demitir 18 funcionários fixos, que são cinco famílias. Fiquei arrebentado. Tô arrebentado até hoje. Fiquei sem crédito. Tive mais de 2 milhões de prejuízo, seguramente", afirmou.

O empresário também confirmou que chegou a ir ao Chile para abrir uma conta exigida pelo grupo criminoso. Segundo ele, outros amigos também fizeram o mesmo, além do deputado Zeca Viana.

"Fui pro Chile uma segunda vez, com eles [Marcelo e Walter] e mais uns amigos que estavam fazendo isso também: Zeca Viana, Irineu Pirani [político de Barra do Garças]. Até então estava acreditando. Tentando acreditar".

Segundo ele, parte desses amigos também fez investimentos com o grupo criminoso, mas ele não citou nomes.

"Castelo de Areia"

A operação Castelo de Areia foi deflagrada no dia 26 de agosto do ano passado pela Polícia Civil e apura crimes de estelionato supostamente praticados pela empresa SoyGroup em todo o Estado.

Foram presos pela suspeita de participação no esquema: Shirlei Aparecida Matsuoka, sócia majoritária da empresa (já solta); Walter Dias Magalhães Júnior (ainda preso preventivamente), presidente do Grupo Soy; Evandro Goulart, diretor financeiro do grupo (já solto); o empresário Marcelo de Melo Costa, suposto "lobista" do esquema (já solto) e, como citado anteriormente, o ex-vereador João Emanuel.

Segundo o delegado Luiz Henrique Damasceno da Delegacia Regional de Cuiabá, uma vítima do esquema afirmou que João Emanuel, vice-presidente da SoyGroup, teria utilizado um falso chinês para ludibriá-la em um suposto investimento com parceria com a China.

A vítima teria emitido 40 folhas de cheque que somam R$ 50 milhões nas tratativas, que eram “traduzidas” pelo próprio ex-vereador.

João Emanuel foi preso preventivamente pela Polícia Civil no dia 26 de agosto de 2016, mas por decisão do desembargador Pedro Sakamoto, do TJ-MT, cumpriu parte da pena em regime domiciliar.

No entanto, um laudo médico comprovou que o ex-vereador se encontrava em bom estado de saúde e ele foi detido em setembro de 2016 no Centro de Custódia da Capital, desta vez em decorrência da Operação Aprendiz.

Ainda, em setembro de 2016, a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu uma nova denúncia contra a suposta quadrilha.

Além dos envolvidos  já citados, se tornaram réus na ação o irmão e advogado do ex-vereador, Lázaro Roberto Moreira Lima e o pai dos dois, o juiz aposentado Irênio Lima.

Leia mais sobre o assunto:

"Tive R$ 2 milhões de prejuízo; estou arrebentado", diz vítima


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Outubro de 2017
20.10.17 17h29 » Presidente do TJ notifica Taques a pagar duodécimos atrasados
20.10.17 17h21 » Cabo: reunião em restaurante selou R$ 50 mil para bancar escutas
20.10.17 15h11 » Delegado diz haver indícios de que militares “vendiam” grampos
20.10.17 15h01 » Juíza nega novo prazo e diz que defesas tentam atrasar sentença
20.10.17 14h52 » Justiça mantém punição a jornalista que "ofendeu" ex-juiz do TRE
20.10.17 14h35 » Instituições não se pautam por Whatsapp; o que vale é o oficial”
20.10.17 14h05 » Imagens mostram encontro de advogada e personal com coronel
20.10.17 13h47 » Juíza descarta fuga e manda retirar tornozeleira de empresário
19.10.17 15h11 » Desembargador nega pedido da AL para votar soltura de Fabris
19.10.17 15h04 » “Taques tinha conhecimento e avalizou os grampos”, diz delegado



Copyright 2012 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet