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Terça, 04 de abril de 2017, 09h22

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J. Estadual / ROSÁRIO OESTE
Juíza acata denúncia contra PMs acusados de assassinato
Corpo de Ronaldo Vargas da Cunha, de 25 anos ainda não foi localizado
O jovem Ronaldo Vargas sumiu após abordagem de policiais militares
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A juíza Sabrina Andrade Galdino Rodrigues, da Vara Única de Rosário Oeste (128 km ao Norte de Cuiabá), aceitou denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra três policiais militares acusadoS de assassinar e ocultar o cadáver do jovem Ronaldo Vargas da Cunha, de 25 anos.

Na decisão, do último dia 22, a magistrada também negou o pedido de revogação de prisão dos três PMs: o sargento Odjarma Jesus de Almeida e os soldados Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz. Eles estão presos desde 11 de março pelo crime.

Com o recebimento da denúncia, os policiais passam a ser réuspelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Ronaldo Vargas desapareceu no dia 13 de dezembro de 2016 em Rosário Oeste. Até o momento, o corpo do rapaz  não foi localizado.

Na denúncia, o MPE relatou que as testemunhas mostraram que o jovem foi abordado pelos três policiais quando saiu da casa de um amigo.

Ainda segundo a denúncia, o jovem foi colocado dentro do porta-malas da viatura e, depois disso, nunca mais foi visto.

“Ademais, o depoimento dos investigados em comparação com a transcrição da trajetória da viatura QBK2153, verifica-se a existência de inconsistências, havendo diversos pontos de parada descritos na trajetória e que não foram mencionados pelos investigados, notadamente no que se refere a indicação de que a viatura na noite dos fatos esteve no meio da ponte que passa sobre o rio Cuiabá e ali permaneceu a 0km/h por cerca de 30 segundos, situação em que os investigados informam que realizaram verificação na bomba d´água a qual fica na cabeceira da ponte e não no meio, não apresentando justificativas quanto a essa parada”, diz trecho da denúncia.

Ainda segundo o Ministério Público, os acusados afirmaram que se deslocaram para a zona rural de Rosário Oeste para atender uma denúncia de furto de caminhões. Contudo, a ocorrência não existiu.

“Diante do exposto, presente a materialidade e os indícios mínimos de autoria, bem como preenchendo a inicial acusatória os requisitos do art. 41 do CPP, recebo a denúncia na forma interposta em juízo, oferecida contra Odjarma Jesus de Almeida, Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz Gomes”, decidiu a magistrada.

Prisões mantidas

De acordo com a magistrada, a manutenção das prisões contra os policiais são necessárias para que eles não ameacem as testemunhas do caso e não atrapalhem o andamento do processo.

“Diante do exposto, mantém se a custódia cautelar dos acusados, vez que encontram-se presente os requisitos da prisão preventiva, notadamente para o resguardo da conveniência da instrução criminal, uma vez que em liberdade os agentes públicos colocariam em risco a idoneidade da prova a ser produzida, bem como para a garantia da própria ordem pública, haja vista que o delito supostamente cometido foi em razão da própria atividade exercida, demonstrando que a liberdade colocará em risco a própria credibilidade da instituição à qual pertencem”, disse.

“Ademais, não se pode perder de vista que, a necessidade da garantia da ordem pública decorre não só da gravidade concreta do delito, evidenciada pelo seu modus operandi, mas também para acautelar o meio social, ante a grande repercussão que o crime teve na sociedade”, decidiu.

O dia do crime

Conforme Joice dos Santos, namorada do rapaz, Ronaldo foi até a casa de um amigo na noite do desaparecimento e, por volta de 23h, ligou dizendo que já estava voltando para casa.

No entanto, o rapaz não chegou na residência e não foi visto desde esse dia.

“Uma mulher nos relatou que viu os policiais o abordando e depois o colocando dentro da viatura. Ele estava em uma bicicleta. Não tinha por que eles [PMs] o pararem”, relatou.

Joice ainda disse que a família de Ronaldo foi até o Comando da PM em Rosário Oeste buscar informações a respeito da abordagem, mas não foram atendidos.

A bicicleta foi encontrada pela Polícia Civil em uma avenida do município, no dia 14.

O inquérito policial que apurou o desaparecimento do jovem foi concluído pela Polícia Civil, sob responsabilidade do delegado Fabiano Pitoscia, no dia 8 de março. No final da apuração, o delegado pediu a prisão preventiva dos três policiais militares apontados nas investigações como os responsáveis pelo sumiço do rapaz.

A ordem de prisão foi decretada pela Justiça da Comarca de Rosário Oeste e foi cumprida pela Corregedoria da Polícia Militar, em conjunto com a Polícia Civil.

De acordo com a Corregedoria da PM, os policiais já estavam afastados das atividades operacionais desde a denúncia e da abertura de procedimento investigatório pela Corregedoria.


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