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15.05.2018 | 16h38
Fabris diz que lugar de Savi é na AL e pede diálogo com Zuquim
Vice-presidente da AL diz que acusado de corrupção contribui mais se estiver no Parlamento
Alair Ribeiro/MidiaNews
O vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gilmar Fabris
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

O vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gilmar Fabris (PSD), afirmou que não irá realizar uma votação em plenário a respeito da manutenção ou não da prisão preventiva do deputado estadual Mauro Savi (DEM) antes de conversar com o desembargador do Tribunal de Justiça José Zuquim Nogueira.

O desembargador determinou a prisão de Savi na semana passada, durante a Operação Bônus. O parlamentar é acusado de ser um dos maiores beneficiados de um esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran, na ordem de R$ 27,7 milhões.

“O que eu recomendo é a Procuradoria da Assembleia entrar em um entendimento com o Tribunal para não haver confronto. Não vejo que confronto seja o caminho. Obedecer decisão judicial é obrigação. Agora, precisa saber qual o porquê de não aceitar a votação e a soltura. Haver um acordo para que não haja nem ganhador, nem perdedor”, disse em entrevista à rádio Capital FM, nesta terça-feira (15).

O que quero é, se o Botelho não for presidir, ter conversa com desembargador e ver as razões, saber até onde podemos avançar

Fabris, como vice-presidente do Legislativo, é quem provavelmente deve presidir a sessão, caso aconteça, para soltura de Savi. Isso porque, na última semana, o atual presidente, Eduardo Botelho (DEM), se disse impedido de realizar a votação. Ele também é um dos alvos da operação.

“O que quero é, se o Botelho não for presidir, ter conversa com desembargador e ver as razões, saber até onde podemos avançar. No meu caso [quando foi preso na Operação Malebolge] era mais complicado, porque era decisão de um ministro que estava em Brasília. Aqui não, temos fácil acesso ao Zuquim”, afirmou.

“Precisamos ouvir o porquê do desembargador para depois tomar providências, o que se deve fazer e o que não se deve. Mas não vou me dar por impedido. Se a recomendação for para votar, evidente que a sessão vai acontecer”, disse.

Lugar de Savi

Fabris afirmou que a decisão sobre realizar a sessão ou não deve ocorrer ainda esta semana.

Caso aconteça, afirmou que irá votar favorável à soltura do colega. Para o deputado, Savi irá contribuir muito mais ao Estado na Assembleia Legislativa.

“Se ocorrer, voto pela soltura, não tenha dúvida. E não porque ele também votou pela minha soltura. O Mauro é meu amigo, companheiro de primeira hora. Todo mundo gosta dele no Parlamento e, tenho certeza, não terá só meu voto, mas também dos demais que estiverem na Casa”, afirmou.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Mauro Savi 05-03-2018

O deputado Mauro Savi, que está entre os presos da segunda fase da Operação Bereré

“Pelo que conversei com os colegas, todos estão predispostos a soltá-lo. O Mauro não vai fugir e está ai para quando for convocado. E o povo de Mato Grosso precisa dele no Parlamento, não na cadeia”, completou.

“Bônus”

A segunda fase da Operação Bereré, batizada de Bônus, é coordenada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco/Criminal) e pelo Gaeco.

A ação apura um esquema que pode ter desviado R$ 27 milhões por meio de um contrato do Detran com a empresa EIG Mercados.

Foram alvos: o deputado estadual Mauro Savi, o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, proprietários da Santos Treinamento, empresa que, segundo as investigações, era usada para lavagem do dinheiro desviado do órgão.

Em Brasília (DF), os policiais prenderam o empresário José Kobori, ex-diretor-presidente da EIG Mercados, apontada pelo Gaeco como pivô do suposto esquema. Já o advogado Pedro Jorge Zamar Taques, irmão de Paulo Taques, se apresentou ao Gaeco.

A operação é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

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