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11.08.2017 | 16h06
Chefe da Casa Civil diz acreditar na inocência de Paulo Taques
Governador Pedro Taques evitou comentar soltura de primo, mas disse que "confia na Justiça"
Alair Ribeiro/MidiaNews
O secretário-chefe da Casa Civil, José Adolpho
DOUGLAS TRIELLI E VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

O secretário-chefe da Casa Civil, José Adolpho, disse acreditar na inocência do ex-secretário Paulo Taques, acusado de interceptação telefônica ilegal, denunciação caluniosa e organização criminosa. 

Em conversa com a imprensa, durante um evento no Centro de Eventos do Pantanal, na tarde desta sexta-feira (11), Adolpho foi lacônico em suas declarações.

“Lógico”, disse ao responder se acredita da inocência de Paulo. “Porque eu o conheço”.

O ex-secretário estava detido no Centro de Custódia da Capital (CCC) desde a última sexta-feira (4), por determinação do desembargador Orlando Perri.

Na noite de quinta-feira (10), o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), refutou os três argumentos utilizados para decretar a prisão preventiva de Paulo e mandou soltá-lo.

Esse é um problema jurídico. Não cabe ao Governo avaliar. Ele é meu amigo. Então, não tem como ficar triste. Fico contente

José Adolpho afirmou ser amigo de Paulo Taques e que ficou “contente” com a decisão.

“Esse é um problema jurídico. Não cabe ao Governo avaliar. Ele é meu amigo. Então, não tem como ficar triste. Fico contente. Juridicamente, uma decisão do STJ tem o seu peso, mas não quero entrar nesse assunto”, afirmou.

“Longa manus”

Na decisão de Perri, José Adolpho foi apontado como longa manus [extensão] de Paulo Taques dentro do Governo. O secretário, entretanto, minimizou o fato.

“Não tem nem o que falar. Eu sou eu”, disse.

Confiança

Já o governador Pedro Taques (PSDB) preferiu não fazer comentários sobre a soltura do ex-secretário, que é seu primo. À imprensa, disse confiar na Justiça.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Pedro Taques

Taques: “Isso é questão do Judiciário. Eu confio na Justiça”

Não vou tratar desse assunto desta maneira. Vou tratar na hora certa o que está ocorrendo. Isso é questão do Judiciário. Eu confio na Justiça”, afirmou.

Grampos ilegais

Paulo Taques está no epicentro de um escândalo de grampos ilegais que ganhou repercussão nacional após reportagem divulgada pelo "Fantástico", da Rede Globo. Ele está detido no Centro de Custódia da Capital.

Pesa contra o ex-secretário a suspeita de que ele teria mandado "grampear" sua ex-amante, a publicitária Tatiana Sangalli, e sua ex-assessora Carolina Mariane.

Outro argumento usado pelo desembargador Orlando Perri para justificar a prisão foi o risco de Paulo Taques destruir provas e documentos importantes para a investigação, uma vez que ainda teria forte influência no Governo.

O ex-secretário também é suspeito de ter integrado o esquema que operou escutas clandestinas ilegais no Estado, juntamente com um grupo de policiais militares, cujas vítimas teriam sido advogados, médicos, um jornalista e adversários políticos.

Os "grampos" ocorriam por meio da tática "barriga de aluguel", quando números de pessoas não investigadas são inseridos indevidamente em um pedido de quebra de sigilo telefônico.

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); os advogados José do Patrocínio e José Rosa; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sérgio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Hélio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

Leia mais sobre o assunto:

STJ rejeita os 3 argumentos usados pelo TJ para prisão de Paulo

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Ao STJ, defesa de Paulo diz que Perri adotou tese “excêntrica” e “ilegal”

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