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Quinta, 23 de março de 2017, 15h58

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Artigos / ENOCK CAVALCANTI
Só Selma Arruda salva
Juíza é merecedora de muitos lauréis e paparicos
ENOCK CAVALCANTI

Meus amigos, meus inimigos: a juíza Selma Arruda, além de manter na prisão inimigos políticos do atual governador Zé Pedro Taques, firmando a moralidade administrativa no Estado, ainda que sob o sacrifício seleto de apenas um dos partidos, o PMDB de Silval Barbosa, merece agora também destaque e, certamente, muitos encômios por destravar e resolver uma situação de incômodo que, há longos anos, vinha sustentando clima de inimizade e cizânia dentro do respeitável plantel de notáveis operadores do Direito que compõem o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, excelso plenário da Justiça em nosso Estado.

Ora, que pena que o desembargador Tadeu Cury, de tão saudosa memória, não esteja vivo para participar dos atuais festejos, ele que também foi alvo do vitupério dos maledicentes, dos invejosos.

Sim, depois de tantos esperneio, tantas sentenças incômodas colhidas no Conselho Nacional de Justiça, no Supremo Tribunal Federal, no Superior Tribunal de Justiça e, no próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso, eis que os magistrados denunciados como corruptos pelo desembargador Orlando Perri, então corregedor de Justiça, naquele que foi, nos idos de 2010, o momentoso Escândalo da Maçonaria, que tanto desgaste desnecessário trouxe a honra da magistratura mato-grossense, eis que a juíza Selma Arruda, numa penada exemplar, coloca tudo em pratos limpos.

Como diria o atual secretário chefe da Casa Civil, Dr. Paulo Taques: Que mulher! Selma Arruda se projeta como juíza de escol, certamente merecedora de muitos lauréis, além das múltiplas entrevistas e paparicos em que tem pontificado. Não se surpreenda se, amanhã, essa julgadora exemplar galgar os píncaros da carreira, quem sabe sendo convocada para substituir Carmem Lúcia, que anda falando em largar seu posto no Supremo Tribunal Federal.

Sim, aqueles que, no passado, foram os corruptos do Perri, do ministro Ives Gandra Martins Filho, agora podem respirar aliviados. Relembro o texto bíblico: estavam perdidos e foram achados. Estavam mortos, e reviveram. As manchetes deste início de 2017 os saúdam como os inocentes da juíza Selma Arruda. Ainda bem que a mais midiática das juízas de Mato Grosso, tão implacável com a corrupção peemedebista, teve tino e sabedoria para firmar que o desembargador José Ferreira Leite e os juízes Marcelo de Souza Barros, Marco Aurélio dos Reis e Antônio Horácio da Solva Neto, vítimas do dedo acusador do Perri e tão cruelmente expostos no período do infausto julgamento no Conselho Nacional de Justiça, vejam só, são, afinal de contas, personagens inocentes. Sofredores, como Dreyfus. Merecedores, certamente, de um retumbante desagravo que haverá, certamente, de ser convocado pela Associação Mato-grossense dos Magistrados - que saiu às ruas para aclamar o federal Sérgio Moro, que nem é daqui. Por que não haveria de cantar e contar com louvor os feitos da juíza Selma Arruda, notadamente essa absolvição que demonstra a honradez, e consagra a perseverança do Horário, do Marcelo, do Marco Aurélio e do Zé Ferreira na defesa de suas biografias?!

Imagino o júbilo que deve ter tomado conta do nosso Tribunal de Justiça e dos seus íntegros componentes ao ver a verdade dos fatos assim restabelecida – e a paz voltando àquele ambiente tão casto.

Em decisão de 14 de novembro de 2006, o CNJ firmara: "Não pode um juiz ser presidente ou diretor de Rotary, de Lions, de APAEs, de ONGs, de Sociedade Espírita, Rosa-Cruz, etc., vedado também ser Grão Mestre da Maçonaria; síndico de edifício em condomínio; diretor de escola ou faculdade pública ou particular, entre outras vedações. Consulta que se conhece respondendo-se afirmativamente no sentido dos impedimentos". (CJN, Pedido de Providências Nº 775106, 14/11/06). Mas qual, tudo isto é passado! A juíza Selma Arruda, em sua decisão decretou que “a celeuma que causou toda esta ação penal não é de ordem criminal, mas sim ética” já que a presidência do TJ, colocada sob a guante do Zé Ferreira, não “agiu em obediência ao princípio da impessoalidade, já que escolheu a dedo, exatamente para socorrer a Loja Maçônica, uma meia dúzia de pessoas com quem sabia que poderia contar”. Sim, sob o comando de Zé Ferreira, a Loja Maçônica GOE/MT podia contar com o TJ, sem problema nenhum, decide agora a juíza Selma, mandando às favas o que decidira o CNJ, o STF, mal influenciados pelas acusações disparatadas do Perri.

E os juízes maçons podem contar com a juíza Selma Arruda, para o que der e vier. Tá tudo em casa, tá tudo dominado, no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso, esse supremo garantidor da Justiça em nosso Estado.

Tenho certeza que o MP, diante de tal espetáculo, há de deixar de encher o saco e se irmanar a essa grande maçonaria que é o TJ, nesse momento ímpar. Que Deus seja louvado. E o Perri, hein? Deve ficar submetido a pesadelos dignos de Edgar Allan Poe.

Enock Cavalcanti - jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário de Cuiabá


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