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J. Estadual / ESCUTAS ILEGAIS

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11.10.2017 | 10h48
Defesa: coronel Lesco e esposa "assumiram responsabilidades"
Casal prestou depoimento por cerca quatro horas na tarde desta terça-feira, no Complexo Miranda Reis
Alair Ribeiro/MidiaNews
Coronel Evandro Lesco deixa o Complexo da Miranda Reis, após depor
VINÍCIUS LEMOS E CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

A defesa do ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e de sua esposa, a personal trainer Helen Cristy, afirmou, noite desta terça-feira (10), que o casal está assumindo suas "responsabilidades" no suposto esquema de grampos clandestinos.

Eles foram reinterrogados por quase quatro horas pelos delegados Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldner, que conduzem as investigações relativas ao esquema de grampos ilegais em Mato Grosso.

Os dois estão presos desde o último dia 27, quando foi deflagrada a Operação Esdras, da Polícia Civil.

Ao fim do depoimento, apenas o advogado do ex-secretário falou com a imprensa, rapidamente, ao ser perguntado pelo MidiaNews se o casal teria decidido colaborar com as investigações.

Apenas assumiu responsabilidade daquilo que ele tem conhecimento e envolvimento

"Apenas assumir [em referência ao coronel e à esposa] a responsabilidade daquilo que ele tem conhecimento e envolvimento”, declarou o advogado Stalyn Paniago.

O advogado ainda afirmou que não daria mais detalhes sobre o caso, pois trata-se de processo que corre em segredo de Justiça.

“As investigações são sigilosas e acredito que as autoridades policiais podem prestar melhores esclarecimentos”, limitou-se a dizer.

Evandro Lesco deixou o complexo por volta das 18 horas, sem falar com a imprensa.

Minutos depois da saída do coronel, uma mulher enrolada em um lençol branco saiu do elevador e entrou em uma área restrita a funcionários. Escoltada por policiais, ela utilizava uma roupa diferente da que Helen usava quando entrou no lugar. A suspeita é de que a mulher enrolada no lençol fosse Helen, que teria pedido para não ser vista enquanto deixava o local.

A principal suspeita é de que o casal tenha confessado participação no esquema, que tinha como objetivo gravar imagens e áudios do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, para, posteriormente, obter a suspeição dele no processo referente aos grampos ilegais.

O reinterrogatório - que ocorreu a pedido do próprio casal – teve início por volta de 14h desta terça-feira, no Complexo Miranda Reis de Juizados Civil e da Fazenda Pública.

As oitivas aconteceram em uma sala cedida pelo Tribunal de Justiça aos dois delegados.

CPUs suspeitos

No início da noite desta terça-feira, o delegado Flávio Stringueta chegou ao Complexo Miranda Reis acompanhado de dois policiais e com dois CPUs.

Segundo ele, os equipamentos estavam sendo analisados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

O delegado não confirmou se os equipamentos têm relação com as investigações sobre os grampos ilegais.

O reinterrogatório

O interrogatório do Casal Lesco, nesta terça-feira, ocorreu depois que os dois prestaram depoimento aos delegados, na semana passada, e permaneceram em silêncio.  

Nesta semana, eles resolveram mudar a estratégia de defesa e solicitaram a nova oitiva.

O coronel chegou ao Complexo Miranda Reis de Juizados Civil e da Fazenda Pública por volta de 12h30.

Já Helen apareceu no local às 13h50, acompanhada de um policial civil e um agente penitenciário em um carro descaracterizado, um Chevrolet Ônix branco.

Desta vez, difrentemente da semana passada, a personal trainer estava sem algemas.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Cel Lesco II

Coronel deixou complexo por volta das 18h, após prestar depoimento

Com o reinterogatório, a expectativa era de que o casal pudesse revelar novos detalhes sobre o esquema, conhecido como “Grampolândia”.

Uma das possibilidades é de que Lesco e Helen tenham proposto acordo de delação premiada, pelo qual poderiam entregar informações relevantes em troca da redução na pena, em caso de eventual condenação.

Operação Esdras

A operação desbaratou o grupo acusado de montar uma estratégia para atrapalhar as investigações relacionadas aos grampos ilegais e obter a suspeição do desembargador Orlando Perri.

Foram presos os então secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas, e de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira - já exonerados -, os ex-secretários Paulo Taques (Casa Civil) e Evandro Lesco (Casa Militar).

Tiveram a prisão decretada ainda a personal trainer Helen Christy Carvalho Dias Lesco, esposa de Lesco; o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler e o empresário José Marilson da Silva.

Este último já obteve liberdade, em razão de estar colaborando com as investigações.

O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador"), da tradição judaico-cristã.

Ele liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C. .

Descendente de Arão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés.

Veja vídeos feitos no Complexo da Miranda Reis nesta terça-feira (10):


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