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08.11.2019 | 10h37
MPE: “Grampolândia foi um dos fatos que mais mancharam a PM”
Promotor de Justiça Allan do Ó voltou a pedir condenação de três militares por esquema de arapongagem
Victor Ostetti
O promotor de Justiça Alan Sidney do Ó Souza
THAIZA ASSUNÇÃO E CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O promotor de Justiça Alan Sidney do Ó Souza afirmou, durante julgamento dos policiais militares acusados de participar do esquema conhecido como “Grampolândia Panteira”, que o caso é um dos que mais mancharam a corporação até os dias atuais.

A afirmação foi feita na réplica às defesas dos réus: o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Gerson Corrêa Junior.

Depois de sua fala, as defesas terão direito à tréplica para rebater as acusações do Ministério Público Estadual.

O julgamento, conduzido pelo juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar, teve início na tarde de quarta-feira (6) e a expectativa é de que termine ainda hoje.

Não é porque eu não tenho nenhuma mácula na minha história, que eu estou autorizado a cometer uma corrupcãozinha que seja

“Nós temos um fato dos que mais mancharam a instituição militar. Eu não sou militar, os senhores, juízes militares é que o são. Absolvam esses militares e fiquem lá”, ironizou o promotor, se dirigindo ao Conselho de Justiça, que é composto pelo juiz e quatro coronéis da PM.

O promotor pontuou que várias pessoas tiveram suas intimidades violadas por conta dos grampos ilegais.

Ele ainda rebateu a defesa do coronel Zaqueu Barbosa, que chegou a afirmar que um profissional da envergadura do militar, que teve vários trabalhos prestados à sociedade mato-grossense, não pode "ser colocado na masmorra".

“Não é porque eu não tenho nenhuma mácula na minha história que eu estou autorizado a cometer uma corrupçãozinha que seja. O coronel Zaqueu errou. O cabo Gerson foi inserindo números, foi perdendo a mão, pegando gosto”, criticou o promotor.

Por fim, Allan do Ó voltou a se manifestar contra o perdão judicial dos réus e pediu pela condenação de Zaqueu, Lesco e Gerson. 

“Se os senhores absolvê-los poderão ensejar a impunidade de um crime dos mais nefastos que aqui existiram”, disse. 

Quanto ao coronel Ronelson Barros e Januário Batista, o MPE sustenta que eles sejam absolvidos.  

Defesas fazem tréplica (atualizada às 19h30)

As defesas dos réus usaram o direito à tréplica para voltar a pedir que a Justiça absolva os PMs ou lhes conceda o perdão judicial.

O advogado Francisco de Assis, que faz a defesa do coronel Zaqueu Barbosa, chegou a criticar as provas apresentadas pelo Ministério Público Estadual no processo, classificando-as como “ilícitas”.

“A nossa única dissonância, claro que com excesso de retórica, é que o MPE não apresentou a origem das provas. Não sabemos de onde vieram as provas. As provas são ilícitas, no mínimo, criminosas. Ou seja, um crime para combater outro crime”, disse.

Além de pedir a absolvição ou a concessão do perdão judicial, as defesas também reforçaram as críticas ao MPE por negar acordo de colaboração premiada com os militares, reiterando o pedido de delação unilateral com o Juízo.  

“Foram denunciados coronéis, secretários de Estado. Eles revelaram a estrutura das organizações. Do que adianta contar como funciona todo o esquema e não ter nenhuma benesse?”, questionou Francisco de Assis. 

Leia mais: 

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