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19.07.2019 | 15h47
“Houve proteção do MPE a Taques; outro gestor seria preso”
Barranco defendeu abertura de uma CPI na Assembleia para apurar a chamada grampolândia pantaneira
Alair Ribeiro/MidiaNews
O deputado Valdir Barranco que citou proteção do MPE ao ex-governador Pedro Taques
CAMILA RIBEIRO E DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

O deputado estadual Valdir Barranco (PT) afirmou que o Ministério Público Estadual (MPE) agiu para proteger o ex-governador Pedro Taques (PSDB) no esquema relativo às escutas clandestinas operado no Estado.

Para o petista, isso ocorreu em razão de Taques ser originário do Ministério Público Federal – antes de ingressar na política, o tucano era procurador da República.

“À medida que vão ocorrendo as delações, nós vamos vendo que houve sim uma rede de proteção por parte do MPE, que deixou de cumprir o seu papel de investigar. Se tivesse ocorrido com qualquer outro da sociedade ou talvez outro governador que não tivesse o perfil do Taques, talvez esse protecionismo não tivesse acontecido”, disse o deputado.

“Talvez se fosse outro teria perdido o mandato, teria sido preso. Mas, nós vimos o MPE atuar como advogado de defesa”, acrescentou o parlamentar.

Talvez se fosse outro, teria perdido o mandato, teria sido preso. Mas, nós vimos o MPE atuar como advogado de defesa

Barranco também disse ser favorável a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar a chamada grampolândia pantaneira.

Especialmente após os interrogatórios realizados nesta semana de três réus do esquema: o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, o ex-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e o cabo PM Gerson Correa – que atuava no Gaeco.

Entre outros pontos, eles acusaram Pedro Taques e seu primo, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, de serem os “donos dos grampos” e ainda apontaram supostas irregularidades cometidas por promotores de Justiça do Gaeco.

“Passou da hora de abrir a CPI. Fui favorável já na legislatura anterior, logo depois que surgiram as denúncias. Porque vejam bem, trata-se de um episódio gravíssimo, um crime gravíssimo”, afirmou Barranco.

“Às vezes a sociedade não compreende e fala ‘ah, mas quem tem medo de grampo é porque deve’. Não se trata disso, se trata de um atentado contra as liberdades individuais. É um atentado às liberdades individuais jamais visto com tamanha grandeza em nenhum país do mundo”, acrescentou o petista.

Participação de promotores

Nesta semana, o presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho (DEM), admitiu que um grupo de parlamentares quer a abertura da CPI para investigar o esquema de interceptações.

O principal questionamento dos deputados é em relação à suposta participação de promotores nas escutas ilegais.

Botelho, no entanto, pede que os parlamentares aguardem a visita do procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, à Casa de Leis para possíveis esclarecimentos. A visita já está marcada para a próxima terça-feira (23).

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