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17.07.2019 | 14h12
“Lesco falou sem pudor, mas MPE viu como fatos requentados”
Advogado de coronel que confessou crime deve pedir benefício de delação unilateral
Alair Ribeiro/MidiaNews
O advogado Stalyn Paniago, que faz a defesa do ex-secretário Evamdro Lesco
CAMILA RIBEIRO E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A defesa do ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, contestou as alegações do Ministério Público Estadual (MPE) de que as revelações feitas por ele no esquema relativo aos grampos ilegais operado em Mato Grosso sejam “fatos requentados”.

Segundo o advogado Stalyn Paniago – que defende Lesco – essa teria sido a justificativa do MPE para negar o acordo de delação premiada proposto pelo ex-secretário.

“Anteriormente, os dados foram apresentados ao MPE, mais especificamente ao Naco [Núcleo de Ações Competência Originárias]. A defesa teve o cuidado minucioso de relatar elementos de provas concretos, que elucidariam tudo o que ele disse em compromisso com a busca da verdade real e sem qualquer reserva mental”, disse Paniago.

“Assim ele o fez na data de hoje, sem pudores, sem receios, sem destemor, admitindo sua responsabilidade e fazendo um elo com todas as irregularidades das quais ele tem conhecimento, das quais ele eventualmente participou e que acaba por culminar com a denominada grampolândia”, acrescentou o advogado.

A defesa teve o cuidado minucioso de relatar elementos de provas concretos, que elucidariam tudo o que ele disse em compromisso com a busca da verdade real e sem qualquer reserva mental

As declarações foram dadas na noite da última terça-feira (16), após depoimento prestado pelo coronel Evandro Lesco ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, na ação que apura os crimes militares relativos ao esquema de grampos clandestinos.

Segundo a defesa, o coronel Lesco, além de narrar cada um dos fatos relativos ao esquema de grampos, “teve a preocupação e responsabilidade” de apontar elementos de prova ou meios a se confirmar as alegações feitas por ele.

Também conforme o advogado, mesmo Lesco tendo “apontado caminhos”, o MPE não teria feito quaisquer diligências de modo a apurar se os fatos eram verdadeiros.

“Essa alegação de fatos requentados não nos parece correta. São fatos novos, sérios, com elementos de prova ao menos indiciários que permitiriam, no mínimo, uma investigação”, disse Paniago.

“Cabe ao procurador de justiça externar as razões - diante de tudo isso que foi apresentado - porque ele entendeu que não seria pertinente e necessária [a delação]”, emendou.

Colaboração unilateral

A defesa do ex-secretário também não descarta a possibilidade de pedir à 11ª Vara os benefícios de uma colaboração unilateral.

Trata-se de uma alternativa para o reconhecimento da delação que não foi aceita pelo MPE.

“Diante da contundência do que foi apresentado, diante dos elementos de prova que foram destacados, a defesa irá se valer sim, dessa possibilidade ventilada em lei. E ela será oportunamente deliberada pelo magistrado Marcos Faleiros e os magistrados militares”, concluiu.

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