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17.07.2019 | 10h45
"De forma vergonhosa, o MPE patrocinou grampos de políticos"
Alvo de grampos, deputada criticou suposta participação do MPE e quer convocar procurador
Alair Ribeiro/MidiaNews
A deputada estadual Janaina Riva: críticas ao Ministério Público Estadual
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

A deputada estadual Janaina Riva (MDB) sugeriu que a Assembleia Legislativa convoque o procurador-geral de Justiça José Antônio Borges para explicar o suposto desvio de finalidade e até mesmo a “apropriação fraudulenta” de uma verba secreta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), bem como o suposto patrocínio do Ministério Público à chamada “Grampolândia Pantaneira”.

O pedido da parlamentar foi feito na sessão de terça-feira (16), logo após o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, e o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, prestarem depoimento ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, no mesmo dia.

“De forma vergonhosa, ouvimos que o Ministério Público patrocinou o equipamento para grampear políticos em Mato Grosso. A Polícia Militar, de forma deliberada e por orientação de promotores, acatou o pedido de barriga de aluguel, grampeando deputados, autoridades, o vice-governador e, inclusive, eu”, disse ela, que foi um dos alvos dos grampos ilegais.

O que vai acontecer com esses promotores? Eles vão ser presos igual os deputados? Eles vão ser presos como são os vereadores e prefeitos?

“Notas foram fraudadas, notas frias, dentro do Ministério Público. Hoje, fiquei imaginando se isso fosse dentro da Assembleia. Ia estar cheio de policial aqui levando o servidor com pedido de afastamento do parlamentar sem ninguém querer saber se o parlamentar tinha ou não relação com o servidor, ou se ele sabia ou não. Quando se trata da Assembleia, é desse jeito que funciona”, afirmou.

Em documento encaminhado ao juiz Marcos Faleiros da Silva no último dia 10 de julho, Gerson Correa acusou membros do Gaeco de uso indevido e desvio de finalidade de uma "verba secreta" destinada a investigações. O policial também afirmou que houve casos em que o dinheiro foi "apropriado fraudulentamente" em 2015, com a suposta conivência do então coordenador do grupo, o promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro.

No mesmo dia, o Ministério Público informou que abriu um procedimento administrativo para investigar a revelação. Conforme o MPE, a verba é destinada a cobrir despesas operacionais em procedimentos investigatórios reservados que exigem sigilo, porém há um controle do seu uso por meio de prestação de contas.

“Temos que convidar o procurador-geral de Justiça. Ele terá que vir aqui prestar esclarecimentos dentro da Assembleia. Como representante do Ministério Público, ele tem que trazer esclarecimentos acerca disso”, disse Janaina.

“Quem são esses promotores que assinaram as notas frias? Porque as notas existem. Quem assinou? Essas notas frias, se forem de R$ 1, R$ 5, R$ 50 ou R$ 100, são fraudadas. O que vai acontecer com esses promotores? Eles vão ser presos igual os deputados? Eles vão ser presos como são os vereadores e prefeitos? Eu queria saber o que vai acontecer”, afirmou.

“Taques precisa responder”

Por fim, a deputada pediu que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) e o ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques respondam civil e criminalmente na questão dos grampos.

Eles foram abertamente acusados de serem os responsáveis pelo início da operação criminosa - e seus maiores beneficiados.

“Da mesma forma, vejo com relação ao ex-governador Pedro Taques, [ao ex-chefe da Casa Civil] Paulo Taques. Acho que está na hora de todos responderem pelo que fizeram. Foram muito machos para fazer, agora está na hora de responder também”, disse ela.

Leia mais sobre o assunto:

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