Artigos
  • OTACILIO PERON
    Órgão cuja missão é controlar contas dos entes deveria dar o exemplo
/ OPERAÇÃO ARARATH

Tamanho do texto A- A+
17.06.2019 | 10h00
Empresário teria assumido dívida de R$ 70 milhões, afirma delator
Informação é do ex-superintendente do BicBanco, Luis Carlos Cuzziol, que deu depoimento à Justiça Federal
Reprodução
O empresário Wanderley Faccheti Torres
PABLO RODRIGO
DO GAZETA DIGITAL

O empresário Wanderley Faccheti Torres, dono da Trimec Construções e Terraplanagem Ltda, teria assumido uma dívida de R$ 70 milhões da organização criminosa investigada na Operação Ararath, com o BicBanco, principal instituição financeira que atuou no esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento de campanha nas últimas duas décadas em Mato Grosso.

A informação consta no depoimento do o ex-superintendente do BicBanco, Luis Carlos Cuzziol, dado à Justiça Federal no último dia 12 de junho em Cuiabá. Na presença do juiz federal Jefferson Schneider, da 5ª Vara Federal, Cuzziol confirmou os empréstimos fraudulentos via outras empresas e instituições financeiras com aval dos governos Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa. 

Segundo o delator, no final do governo Silval Barbosa, ainda restava uma dívida de cerca de R$ 70 milhões entre o grupo e o BicBanco. Porém, em uma reunião ficou acertado de que Wanderley Torres e o empresário João Carlos Simioni, da empresa Constil, ficariam com a responsabilidade de quitar esta dívida, fruto dos empréstimos fraudulentos com empresas que tinham contratos com o governo do Estado. 

A Trimec Construções e Terraplanagem Ltda e Wanderley Torres foram alvos da 5ª fase da Operação Ararath em 2014. A empreiteira, que tinha contratos com o governo do Estado, chegou a receber mais de R$ 300 milhões durante os governos Blairo e Silval. 

Segundo as denúncias da Ararath, as empresas de Wanderley faziam parte do esquema de ‘bancos clandestinos’, recebendo empréstimos privados fraudulentos e dinheiro público desviado, juntamente com as empresas do empresário Júnior Mendonça, primeiro delator do esquema. 

De acordo com uma das ações penais da Ararath, em 2009, o exsecretário Eder Moraes, com a ajuda do ex-procurador João Virgílio do Nascimento, conseguiu a liberação e R$ 19 milhões para pagamento da empresa Hidrapar Engenharia Civil Ltda visando receber créditos relativos a serviços prestados à extinta Sanemat. 

O montante, segundo a denúncia, foi transferido para a advocacia Tocantins, de propriedade dos irmãos Kleber e Alex Tocantins, que teriam aberto uma conta conjunta com Wanderley da Trimec. Dos R$ 19 milhões, a investigação aponta que R$ 5,250 milhões foram transferidos para a empresa Globo Fomento, a fim de quitar dívidas do então vice-governador Silval Barbosa referentes à campanha eleitoral e demais negócios escusos. 

Já o escritório Tocantins teria ficado com R$ 12 milhões, ou seja, somente R$ 1,750 milhão foi realmente utilizado para pagar a Hidrapar Engenharia. Em 2015, os próprios advogados haviam admitido o recebimento de R$ 19 milhões relativos a precatórios da Hidrapar, porém, negaram ter pago propina. 

Fazenda 

Na delação do ex-governador Silval Barbosa, ele afirma que em junho de 2012 a Trimec, administrada por Wanderley, figurou como compradora de uma fazenda de Antônio Joaquim e sua esposa. No entanto, o imóvel seria para ele próprio, tendo o empresário como uma espécie de ‘testa de ferro’ para a transação. 

De acordo com Silval a fazenda foi comprada por R$ 10 milhões, sendo que 70% do imóvel ficaria com ele e 30% com o empresário. O ex-governador disse também que o dinheiro para pagar o conselheiro seria de propina pagas pela Trimec e a Strada Construtora por conta da licitação para gestão dos maquinários do pro grama chamado Patrulha de Recuperação de Rodovias, lançado em 2011. 

O empresário chegou a confirmar o esquema de pagamento de propina e disse que os valores variavam entre R$ 5 mil a R$ 50 mil, totalizando mais de R$ 5,6 milhões, o que representou 10% do contrato firmado entre a Trimec e o governo do Estado. O empresário João Carlos Simioni é ligado às empreiteiras Todeschini, Cohabita e Constil, que executaram obras nas gestões Maggi e Silval. As empresas são suspeitas de terem recebido precatórios e de ter feito empréstimos fantasmas junto ao Bic Banco para financiar o esquema. 

Delação 

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) homologou a delação premiada do ex-superintendente do BicBanco de Mato Grosso, Luis Carlos Cuzziol em abril deste ano. Os depoimentos realizados por Cuzziol teriam detalhes que faltavam para as autoridades policiais entenderem como funcionava o esquema de corrupção.

Emails, documentos, mensagens e contas bancárias foram revelados pelo ex-superintendente do BicBanco. Além do BicBanco, outras instituições financeiras e empresas foram inclusas em seu depoimento.   

Outro lado 

Procurado pela reportagem, o empresário João Carlos Simioni disse que nunca assumiu nenhuma dívida do governo do Estado e de Silval Barbosa. Segundo o empresário as dívidas que possuía com o BicBanco eram da empresa Todeschini. ‘Ele está mentindo. Nunca assumi dívida nenhuma. Não seria louco de assumir uma dívida dessas’, disse.

Ainda de acordo com o empresário, ele já prestou todos os esclarecimentos no Ministério Público Federal. Já o conselheiro afastado Antônio Joaquim nega que sabia que a compra da fazenda ocorreu com dinheiro de propina.

‘O próprio Wanderley já declarou isso na Polícia Federal. Me colocaram nisso para tentar me prejudicar’, disse. O ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, nega as acusações e diz que Cuzziol fez uma delação baseada em mentiras para tentar conseguir algum benefício. A reportagem não conselguiu localizar o empresários Wanderley Torres para comentar o assunto


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet