Artigos
  • GISELE NASCIMENTO
    O ato de perder muita das vezes desencadeia reações impensadas e imprevisíveis
  • GONÇALO ANTUNES DE BARROS
    Fenômeno democrático ‘é’ enquanto resultado da interpretação daquele que o observa
  • RENATO GOMES NERY
    Movimentação política, com vistas à sucessão municipal em Cuiabá, começou
/ CORRUPÇÃO

Tamanho do texto A- A+
03.06.2019 | 15h44
Ex-gerente do BicBanco faz delação e entrega esquema da Ararath
O acordo foi firmado em abril; acordo teria detalhes que faltavam sobre como funcionava o esquema de corrupção
Reprodução
O ex-superintendente do BicBanco de Mato Grosso, Luis Carlos Cuzziol (detalhe)
PABLO RODRIGO
GAZETA DIGITAL

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) homologou a delação premiada do ex-superintendente do BicBanco de Mato Grosso, Luis Carlos Cuzziol.

O acordo firmado em abril era a peça que faltava para o Ministério Público Federal (MPF)  e a Polícia Federal (PF) entender como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento de campanha descoberto pela Operação Ararath.

A notícia caiu como uma bomba no meio empresarial e político do Estado, já que a colaboração envolve autoridades em funções públicas, empresários, ex-parlamentares e atuais parlamentares.

Os depoimentos realizados por Cuzziol teriam detalhes que faltavam para as autoridades policiais entenderem como funcionava o esquema de corrupção.

Emails, documentos, mensagens e contas bancárias foram revelados pelo ex-superintendente do BicBanco.

Além do BicBanco, outras instituições financeiras e empresas foram inclusas em seu depoimento. 

Cuzziol foi alvo da 5ª e 6ª fase da Operação Ararath em 2014, e já possui 3 sentenças condenatórias juntamente com os irmãos e advogados Alex e Kléber Tocantins, o ex-secretário-adjunto de Fazenda Vivaldo Lopes e o ex-secretário de Estado de Fazenda e da Casa Civil, Eder Moares, sendo que este foi condenado em todas os três processos.

Cuzziol confessa em sua delação os crimes financeiros, como a operação ilegal por meio de factorings clandestinas, gestão fraudulenta no BicBanco, por meio de simulações de empréstimos, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a Administração Pública e ainda crimes tributários.

A delação se encontra em sigilo e foi homologada pelo desembargador federal Cândido Ribeiro. As negociações foram conduzidas pela procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, uma das responsáveis pelas investigações do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso, relacionadas à Operação Ararath.

Vendido para chineses

O Banco Industrial e Comercial S/A (BicBanco) foi vendido em 2013 para um grupo de chineses e atualmente  se chama oficialmente China Construction Bank. Em anúncios divulgados nos principais jornais do país, na época, a direção do CCB informa a mudança. “BicBanco agora é CCB Brasil” diz o comunicado que traz um breve histórico do banco.

A instituição, apontada como a 2ª maior da China e a 4ª do mundo em valor de mercado, está há 60 anos no mercado, movimentando ativos de US$ 2,7 trilhões, em 14 mil agências, 26 subsidiárias fora da China e empregando 350 mil funcionários.

A venda do BicBanco para os chineses foi formalizada com a negociação de 72% do capital ao preço de R$ 8,9017 por papel preferencial ou ordinário, conforme divulgado na época. Mas a concretização ocorreu somente em 2015 com a assinatura de decreto da presidente Dilma Rousseff, após a operação ser aprovada pelo Banco Central e por autoridades regulatórias chinesas e bancárias das Ilhas Cayman, onde a instituição opera.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet