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04.07.2018 | 16h39
“Não sou ladrão e gângster como ele é; não há o que delatar"
Conselheiro afastado do Tribunal de Contas é acusado de participação em esquema de propina
Alair Ribeiro/MidiaNews
O conselheiro afastado do TCE, Antonio Joaquim, que nega participação em esquema de propina
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Joaquim, desafiou o ex-governador Silval Barbosa a apresentar provas de que ele tenha participado de um suposto esquema de pagamento de propinas a conselheiros do TCE.

Joaquim classificou o ex-governador como “fanfarrão” e ignorou a sugestão de Silval para que ele delate supostos esquemas de corrupção que tenha praticado.

“Não sou ladrão, não sou gângster como ele é. Não tenho nada pra delatar. Não é questão de ter vontade ou dever de fazer delação como ele sugere, não tenho nada pra delatar. Isso é fanfarronice”, disse Joaquim, ao MidiaNews.

Não tenho nada pra delatar. Não é questão de ter vontade ou dever de fazer delação como ele sugere, não tenho nada pra delatar. Isso é fanfarronice

Silval acusa Joaquim e outros quatro conselheiros de terem recebido propina de R$ 53 milhões por pareceres favoráveis às contas de sua gestão e para não colocar entraves às obras da Copa do Mundo de 2014.

O ex-governador também acusa Antônio Joaquim de participação em um esquema de lavagem de dinheiro na compra e venda de uma fazenda localizada no Município de Nossa Senhora do Livramento (47 km ao Sul de Cuiabá).

Joaquim reiterou que não existem provas dos fatos delatados por Silval. “O que me deixa muito ruim é que vivo um calvário desde setembro do ano passado, em razão tão somente da palavra do delator”.

“O que existe é um bandido confesso querendo nivelar todas as pessoas a ele. O ladrão confesso que chegou a falar que roubou R$ 1 bilhão do Estado. Ele é muito cínico. Eu respondo por mim, sou vítima da palavra de um gângster. O que existe além da palavra dele? Nada, absolutamente nada. Eu o desafio a apresentar provas”, afirmou.

Joaquim disse que jamais se reuniu com Silval para tratar de suposto pagamento de propina.

O ex-conselheiro afirmou também que, ao contrário do que o ex-goverandor afirma, ele não tinha conhecimento de que Silval era “sócio-oculto” do empresário Wanderlei Torres, da Trimec, a quem ele vendeu a fazenda.

“O Wanderley prestou depoimento num inquérito relativo ao caso e confirmou que de fato era sócio do Silval, mas disse que eu não tinha conhecimento dessa informação, tampouco que o dinheiro usado para pagar essa propriedade era de propina. Como de fato eu não tinha”, disse.

Preciso mandar Polícia Federal, a Receita Federal investigar de onde vem o dinheiro? Como vou adivinhar que o cara está usando dinheiro de propina pra me pagar?

“Fiz um contrato de compra e venda em 2012. Quando Wanderley me pagava, mandava dinheiro da Trimec na minha conta. Como não iria aceitar? Preciso mandar Polícia Federal e a Receita Federal investigar de onde vem o dinheiro? Como vou adivinhar que o cara está usando dinheiro de propina pra me pagar?”, questionou o conselheiro.

“Injustiça jurídica”

Antônio Joaquim afirmou ainda ser vítima de uma “injustiça jurídica”, mas citou ter esperanças de retomar suas atividades.

Para isso, ele lembrou do caso envolvendo a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), acusada pelo doleiro Alberto Yousseff de receber R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado em 2010.

“Vivo um calvário, afastado do TCE há 9 meses, impedido de me aposentar. Isso é uma monstruosidade, uma injustiça jurídica. Tenho certeza de que serei reparado por essa injustiça que vivo. Confio que essa situação será revertida. Não pode admitir que essa injustiça permaneça de forma permanente”, disse.

“Me animo com o que decidiu a segunda turma do STF, inclusive com o voto do ministro Edson Fachin, quando não aceitou uma denúncia contra a senadora Gleise em cima apenas da palavra do delator, sem nada comprovando”, concluiu.

Leia mais sobre o assunto:

Silval pede "hombridade" a conselheiros e diz ter prova de crimes

Antonio Joaquim: “Palavra de um gângster me impôs um calvário”


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