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29.06.2018 | 16h32
Gerente de academia confirma ameaças a Danilo: "Andava armado”
A primeira audiência do caso está sendo realizada na tarde desta sexta-feira (29), no Fórum de Cuiabá
Reprodução
Danilo foi assassinado a tiros em novembro do ano passado, no bairro Goiabeiras
DAFFINY DELGADO E CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O gerente da academia Smart Fit unidade Goiabeiras, Gorbachev Jo Barros Oliveira, afirmou que o personal trainer Danilo Campos vinha sendo ameaçado pelo marido de sua amante, Guilherme Dias de Miranda, e que após isso o profissional chegou a andar armado.

A revelação foi dada em depoimento na tarde desta sexta-feira (29), em sede da ação penal que apura o assassinato do educador físico. As testemunhas do caso  começaram a ser ouvidas pelo juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 12ª Vara Criminal, no Fórum de Cuiabá.  

O crime ocorreu no dia 8 de novembro de 2017, no bairro Goiabeiras. O personal estava ao lado de seu carro, um Honda Civic, e criminosos atiraram, matando o rapaz na hora. Os acusados do homicídio são Guilherme Dias de Miranda e ​Wallisson Magno de Almeida Santana.

No depoimento, o gerente da academia confirmou que o personal teve um relacionamento com Any Lise Hovoruski e que o marido dela, Guilherme, ao descobrir o caso, passou a ameaçar Danilo.

Gorbachov Oliveira disse que ao ser informado sobre o envolvimento de Danilo com Any, alertou o funcionário. Depois disso ele relatou ter ficado sabendo que o personal estava sendo ameaçado pelo marido da amante.

Ele depôs que após as ameaças Danilo começou a ir armado para academia. Ainda conforme o gerente, a proximidade de Danilo e Any não se deu por causa da academia, pois ela malhava na filial de Várzea Grande e o personal dava aulas na unidade do Goiabeiras.E durante o romance a moça teria passado a frequentar a unidade no qual Danilo ministrava aulas, mas ela não era aluna dele.

"A informação era de que os dois teriam se conhecido em um show, ou algo do tipo", disse o gerente.

De acordo com o gerente, Guilherme chegou a ir pessoalmente ao local para ameaçar Danilo. A confusão ocorreu no estacionamento da academia.

“Cheguei na unidade, e me falaram da ameaça. Chamei o Danilo pra conversar e ele me confirmou o fato. Isso foi antes de ele ter adquirido a arma. Essa foi a única vez que o Guilherme foi ao estacionamento e me relataram”, disse Gorbachov Oliveira.

Ele conta que não se atentou a pegar imagens de segurança e quatro dias após o fato, as imagens foram apagadas.

Após isso, segundo o gerente, Guilherme teria enviado várias mensagens para o personal, continuando a ameaçá-lo.

“'Você vai aprender a mexer com mulher casada. Eu vou dar um tiro na sua cara'. Essas foram algumas das mensagens que o suspeito mandou e eu tomei conhecimento".

O juiz perguntou se ele tinha conhecimento do envolvimento do comparsa de Guilherme, ​Wallisson Magno de Almeida Santana. Mas, ele ressaltou que não teve conhecimento e que Danilo não comentou nada sobre Wallisson.

Namorada não sabia de amante

Namorada de Danilo, Aline Oliveira de Araújo também prestou depoimento e contou que não sabia do envolvimento do personal com Any. Ela afirmou que só soube do caso dos dois após o assassinato.

“Eu procurei não ver nada. As coisas que soube foram que pessoas próximas a mim me disseram. Nem da arma eu sabia que ele tinha", declarou.

De acordo com ela, o personal era uma boa pessoa. “Ele tinha um ótimo caráter, trabalhador, respeitoso, educado. Não tenho nada de ruim para falar sobre ele. E nem soube de coisas ruins sobre ele”, afirmou.

Vigilante comenta sobre arma

Outra testemunha ouvida foi o vigilante da academia, Leandro Rodrigues de Alves Lemes. Ele comentou sobre o envolvimento de Any e Danilo, mas afirmou não saber de detalhes.

Sobre a arma, ele explicou que Danilo chegou a falar com ele sobre o assunto, mas sem aprofundar muito

"Uma vez ele comentou comigo que precisava de uma arma. E perguntei por que ele queria a arma, e ele não quis me responder. Ele não tinha malícia de andar armado. Era um cara gente boa. Uma arma na mão dele poderia ter sido inútil", declarou Leandro.

Polícia fala sobre a interceptação telefônica

Um dos policiais civis que participaram das investigações foi Dionísio Bario Neto. Ele foi ouvido pelo juiz e contou como foi o trabalho integrado das polícias de Mato Grosso e São Paulo nas interceptações telefônicas que levaram à localização de Guilherme e Wallisson.

Ele afirmou que policiais de Mato Grosso do Sul visualizaram Guilherme com outro estelionatário, de nome Leandro Magrão.

"Guilherme é extremamente inteligente, utiliza varias números de celulares, em nomes de terceiros. A única coisa que ele tem no nome dele são dois veículos", declarou Dionísio.

Ele contou ainda que Guilherme recebia mensagens de um número com DDD 67. Em uma das mensagens a pessoa chegou a perguntar de uma reportagem e se ele estaria bem.

Mas, apesar das mensagens, ele evitava responder. Guilherme usava um número com DDD 011.

Dionísio Bario disse ainda que no depoimento de Any Lise Hovoruski, ela confirmou que esse telefone é dele [Guilherme].

Durante as investigações, segundo Dionísio, o suspeito continuava cometendo crimes de estelionato em São  Paulo através de compras de passagens aéreas.

"Nós cumprimos buscas em varias locais. Sem a interceptação telefônica seria impossível encontrá-lo. Nós recebemos varias denúncias dando conta de que ele poderia ir pra África e Paraguai", contou.

O investigador confirmou que a falha de Guilherme foi ter levado seu veículo para a cidade de São Paulo, onde foi encontrado.

Sobre a descoberta do romance entre Danilo e Any, o policial declarou que tem um print de uma conversa de Guilherme com a Any Lise, em que Guilherme diz que tinha descoberto a traição.

"O Guilherme viu fotografias com conotação sexual que eles enviavam, deixando claro o relacionamento amoroso", finalizou.

Ainda de acordo com depoimento do policial, quando começaram a analisar o número antigo do Guilherme, encontraram varias ligações no dia do fato para o celular que era do Wallison.

"No Facebook verificamos a proximidade do Walisson com o Guilherme.Tem até foto dos dois junto", explicou.

O polical contou ainda que um outro número fez três ligações para a vítima cerca de meia hora antes do crime. E esse mesmo número também ligou para Guilherme.

"Outro fato, é que houve conversação do Wallison com a vítima e depois com o Guilherme. Na busca, verificamos que ambos estavam próximos ao local do homicídio. Nisso, não houve dúvidas que ambos estavam próximos ao local", disse.

Dionísio relatou que uma das ligações foi feita quase no mesmo local do posto que o Ciosp gravou a imagem da moto em que estava a dupla que matou o Danilo.

"Para nós, ficou claro que essa moto era a dos dois. Essa moto, no dia 6 de novembro, também foi vista com Wallison por câmeras da cidade", afirmou o investigador.


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