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/ ESQUEMA DE ESTELIONATO

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20.06.2018 | 16h50
Juiz desmembra ação contra “falso chinês” acusado de golpes
Mauro Chen Guo Quin não foi encontrado pela Justiça desde o início do processo, em setembro de 2016
Tony Ribeiro/Agência F5
O juiz Jorge Tadeu, que determinou desmembramento de decisão
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, determinou o desmembramento da ação fruto da Operação Castelo de Areia, que investiga seis pessoas por golpes de estelionato no Estado.

Com a decisão, dada na última sexta-feira (13), o comerciante Mauro Chen Guo Quin responderá a uma ação em separado dos demais réus.

Também são acusados o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá, João Emanuel; o irmão dele, Lazaro Roberto Moreira Lima; e o pai dos ambos Irênio Lima Fernandes. Na ação, ainda respondem o diretor-financeiro do Grupo Soy Evandro Goulart e o "lobista" Marcelo de Melo Costa.

Além deles, ainda são investigados o presidente do grupo Walter Dias Magalhães, e a esposa Shirlei Aparecida Matsuoka, sócia majoritária da empresa.

Mauro Quin é acusado de integrar um esquema de estelionato supostamente praticado por meio do Grupo Soy, em Cuiabá. Porém, desde o início das investigações, o Tribunal de Justiça não conseguiu encontrá-lo para intimar dos atos da ação e nem para efetuar sua prisão preventiva decretada pela então juíza Selma Arruda. A informação é de que ele moraria em São Paulo (SP).

Para que não haja mais demora no processo – em andamento há dois anos, e concluído em relação aos outros réus - o magistrado Luiz Tadeu determinou o desmembramento da ação, para que o trâmite ocorra sem a interferência da ausência do suposto chinês.

“Conclui-se que, não sendo localizado e inexistindo informação quanto ao seu atual endereço, até o presente momento, o acusado Mauro Chen Guo Quin não foi validamente citado, permanecendo a ação penal paralisada”, diz trecho da ação.

Em relação aos demais corréus a instrução processual se encontra encerrada, visando evitar maior elastério na prolação da sentença, determino o desmembramento da presente ação penal em relação ao acusado Mauro Chen Guo Quin

“Desta forma, considerando que o acusado Mauro Chen se encontra em local incerto e não sabido e que o membro do Ministério Público, devidamente intimado, deixou de apresentar endereço atualizado, bem assim que em relação aos demais corréus a instrução processual se encontra encerrada, visando evitar maior elastério na prolação da sentença, determino o desmembramento da presente ação penal em relação ao acusado Mauro Chen Guo Quin”, consta em outro trecho.

Segundo consta na ação, a Justiça de São Paulo tentou localizar o comerciante, por diversas vezes, mas ele não foi encontrado. Mauro Chen é foragido da Justiça desde o início da operação, deflagrada em agosto de 2016. 

“Falso chinês”

Conforme as investigações que culminaram na deflagração da operação, Mauro Chen atuava no esquema como um “falso chinês”, dono de um banco estrangeiro.

Em um dos golpes, uma única vítima, identificada como Edson Vieira dos Santos, disse que quase perdeu R$ 50 milhões.

Segundo o empresário, durante a negociação, o ex-vereador João Emanuel chegou a usar o falso chinês para convencê-lo a fechar o negócio. O ex-vereador era quem "traduzia" o que o Mauro Chen Guo Quin dizia.

Conforme Edson, João Emanuel afirmou que ele teria um lucro de R$ 170 milhões por sua participação no investimento, caso disponibilizasse 40 folhas de cheque totalizando o valor de R$ 50 milhões, para a garantia do negócio.

Operação Castelo de Areia

Reprodução

Mauro Chen Guo Quin

"Falso chinês", Mauro Chen Guo Quin

A Operação Castelo de Areia foi deflagrada no dia 26 de agosto de 2016 pela Polícia Civil, que apura crimes de estelionato supostamente praticados pela empresa Grupo Soy em todo o Estado.

As vítimas eram pessoas com poder aquisitivo alto, como produtores rurais, empreiteiros e empresários.

O inquérito policial foi concluído no dia 1° de setembro daquele ano pela Delegacia Regional de Cuiabá, em parceria com a Delegacia de Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

Conforme o relatório, assim que os “diretores” conseguiam fazer com que o cliente realizasse o adiantamento, o dinheiro era rapidamente dividido entre eles.

“O grupo agia da forma que assim que recebiam os adiantamentos pedidos das vítimas, essa quantia era imediatamente repassada às contas bancárias do grupo e, em seguida,  dividida entre os demais envolvidos no esquema", diz trecho do relatório.

João Emanuel foi preso preventivamente pela Polícia Civil no dia da deflagração da operação, mas por decisão do desembargador Pedro Sakamoto, do TJ-MT, cumpriu parte da pena em regime domiciliar.

No entanto, um laudo médico comprovou que o ex-vereador se encontrava em bom estado de saúde e ele foi detido em setembro de 2016 no Centro de Custódia da Capital, desta vez em decorrência da Operação Aprendiz.

Ainda, em setembro de 2016, a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu uma nova denúncia contra a suposta quadrilha.     

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