Artigos
  • VICENTE VUOLO
    A partir de 2019, Sergio Moro terá a agenda mais desafiadora da história recente
/ DÍVIDA DE R$ 50 MILHÕES

Tamanho do texto A- A+
19.06.2018 | 14h57
Engeglobal culpa a Copa de 2014 e entra com recuperação judicial
Grupo diz ter sofrido com "projetos mal-feitos" de obras da Copa
MidiaNews
O empresário Robério Garcia, que comanda o grupo; no detalhe, obra do Marechal Rondon
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

Vencedor de diversas licitações relacionadas às obras da Copa do Mundo em Cuiabá, o Grupo Engeglobal ingressou na 1ª Vara Cível de Cuiabá com um pedido de recuperação judicial alegando desequilíbrio financeiro e prejuízos superiores a R$ 50 milhões.

"A solidez angariada com os longos anos de atividade, bem como o patrimônio e todo o know-how construído até então, não foram suficientes para afastar a crise econômico-financeira momentaneamente vivenciada", disse a empresa, em seu pedido.

Dirigido pelo empresário Robério Garcia (pai do deputado federal Fabio Garcia, do DEM), o grupo assumiu algumas das principais obras previstas na preparação de Cuiabá rumo ao evento da FIFA, em 2014.

Entre elas, a reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, os dois Centros Oficiais de Treinamento (COTs) da UFMT e do Pari, além da revitalização do Córrego oito de Abril e implantação do coletor tronco. Nenhuma foi concluída até hoje.

Fundada há 38 anos pela família do ex-governador José Garcia Neto, a Engeglobal Construções Ltda. faz parte de um grupo que reúne a Global Energia Elétrica S/A; a  Advanced Investimentos e Participações S/A; os Hotéis Global S/A; a Global Empreendimentos Turísticos e a Construtora e Empreendimentos Guaicurus Ltda.

"Projetos mal elaborados"

No pedido de recuperação judicial, a empresa se exime de culpa pelos atrasos e diz ter sido vítima de "projetos deficientes, inconsistentes e mal elaborados" que, ao longo da execução das obras, "abalaram a saúde da empresa".

"Diversos problemas e entraves foram enfrentados pelo Grupo Econômico durante a implantação e andamento das obras, que impactaram negativamente os custos dos serviços prestados e foram a causa principal do desequilíbrio econômico atualmente vivenciado", diz o pedido, em um trecho.

Além de problemas relacionados aos projetos, o grupo cita outros 14 fatores que causaram o desequilíbrio. O excesso de aditivos, por exemplo, que teria obrigado as empresas a "a executarem serviços não previstos quando da contratação".

O atraso nos pagamentos das medições também foi mencionado. "(...) Um desses atrasos perdurou por quase 10 (dez) meses, e, assim mesmo, as obras não foram paralisadas, fato que gerou a inadimplência do grupo de encargos fiscais e previdenciários, que impediram o recebimento de recursos por serviços já prestados por conta das certidões positivas de débito", afirma.

A Engeglobal também cita a "falta de mão de obra qualificada e a supervalorização daquela disponível" como agravante.

"Assim, o Grupo Econômico chegou ao ponto de canalizar todos os recursos que as empresas tinham disponíveis exclusivamente para pagamento da folha de funcionários".

O conjunto de fatos negativos, segundo o grupo, encareceu as obras em 25% sobre o valor inicial orçado.

"[A situação] fez com que o Grupo buscasse capital de giro com empréstimo bancários de mais de R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões), oferendo garantias reais próprias dos sócios, e financiamentos diretos com pessoas físicas e fornecedores de máquinas e equipamentos".

No pedido, o grupo lembra que gerou, nos últimos dez anos, mais de 8,5 mil empregos diretos, quatro mil terceirizados e 25,5 mil indiretos.

"Destarte, inobstante a crise momentânea que atravessam, em virtude das margens operacionais dos seus negócios, bem como pela qualidade e quantidade de seus ativos, não restam dúvidas acerca de sua viabilidade e capacidade de soerguimento, bastando, para tanto, que as dívidas negociadas em curto prazo sejam alongadas, ou ao menos suspensas pelo período necessário à implementação das estratégias de liquidez que serão oportunamente detalhadas no plano de recuperação judicial".

No sábado (23), às 9h, o grupo irá realizar uma assembleia geral extraordinária para debater sua "situação econômico-financeira". Foram convocados acionistas e, inclusive, "os interessados, herdeiros do espólio de Jose Garcia Neto e espólio de José Luiz de Borges Garcia".


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:



Copyright © 2018 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet