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18.05.2018 | 14h57
Esposa “lavou” R$ 299 mil de propina da EIG para Henry, diz MPE
Ivanilda Henry foi denunciada pelo Ministério Público junto com ex-deputado na Operação Bereré
Reprodução
O ex-deputado federal Pedro Henry: denúncia diz que esposa colaborou para lavagem da propina
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual (MPE) acusou a empresária Ivanilda Santos Henry de ter “lavado” R$ 299,2 mil de propina paga pela empresa EIG Mercados ao seu marido, o ex-deputado federal Pedro Henry.

A acusação consta na denúncia oferecida na quarta-feira (16) e é relativa às investigações da Operação Bereré, que apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran-MT, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2009 a 2015.

Segundo as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG Mercados por conta do contrato com o Detran retornava como propina a políticos e empresários, dinheiro esse que era “lavado” pela Santos Treinamento – parceira da EIG no contrato - e por servidores da Assembleia, parentes e amigos dos investigados.

Pedro Henry – que já foi condenado no caso do Mensalão - é apontado como um dos líderes do esquema e teria sido o responsável por articular a parceria entre a EIG e a Santos Treinamento, no intuito de viabilizar o “propinoduto”.

Conforme o MPE, o empresário Marcelo Costa e seu irmão, o advogado Antonio Costa, sócios da Santos, eram os responsáveis por receber a propina destinada ao político.

Lavagem

Na denúncia, consta que a lavagem do dinheiro feita por Ivanilda Henry ocorreu em 13 oportunidades, de 2010 a 2014.

As propinas eram pagas pelos empresários José Ferreira e José Henrique Gonçalves (pai e filho), que são sócios da EIG e delatores dos crimes.

Valores que Roberto Abrão Júnior recebeu e repassou a Ivanilda Santos Henry, tudo a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto

Para tal, além de Marcelo e Antônio Costa, ela também teria contado com a ajuda de seu sócio na empresa Hiperbárica Santa Casa Ltda, Roberto Abrão Júnior, que também é dono do jornal Resumo On-line Lta – ME.

Consta na investigação que a EIG Mercados, em janeiro de 2010, fez três transferências bancárias, no valor total de R$ 115,5 mil, em favor do Jornal Resumo On-line.

“Valores que Roberto Abrão Júnior recebeu e repassou a Ivanilda Santos Henry, tudo a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto”.

No ano seguinte, conforme o MPE, as propinas foram repassadas pelo advogado Antônio Costa, sócio da Santos, por meio de quatro transferências bancárias, totalizando R$ 108 mil, em favor do Jornal Resumo On-line.

Segundo a acusação, tais valores foram novamente repassados por Roberto Abrão a Ivanilda Henry. Também foram mencionados na denúncia outros seis cheques de Antonio Costa que foram compensados pela mesma empresa, no total de R$ 71 mil.

“A pessoa jurídica Jornal Resumo On-line Ltda – ME teve compensados em sua conta bancária seis cheques emitidos por Antonio Eduardo da Costa e Silva, sendo um no valor de R$ 20 mil na data de 28/06/2011, um da monta de R$ 19.480,00 na data de 02/08/2011, um da quantia de R$ 4.500,00 na data de 23/08/2013, um no valor de R$ 690,00 na data de 02/09/2013, um da monta de R$ 22.791,00 na data de 21/07/2014 e um da quantia de R$ 3.840,00 na data de 13/08/2015, valores que Roberto Abrão Junior recebeu e repassou a Ivanilda Santos Henry, tudo a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto”.

O MPE ainda acusou o empresário Marcelo Costa de também ter colaborado para a lavagem da propina a Henry, em 2014, por meio de uma transferência  de R$ 4,6 mil ao jornal, “valores que Roberto Abrão Júnior recebeu e repassou a Ivanilda Santos Henry, tudo a fim de ocultar o verdadeiro proprietário e destinatário do dinheiro, Pedro Henry Neto”.

A operação

A segunda fase da Operação Bereré resultou na prisão dos seguintes alvos: o deputado estadual Mauro Savi (DEM); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques e seu irmão Pedro Jorge Taques; os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, proprietários da Santos Treinamento; e o empresário José Kobori, ex-diretor-presidente da EIG Mercados.

De acordo com as investigações, entre os meses de julho e agosto do ano de 2009, quando Teodoro Moreira Lopes o “Dóia” ocupava o cargo de presidente do Detran, foi convocado para uma reunião no gabinete do deputado Mauro Savi. No local estavam presentes, além do parlamentar, Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, ambos investigados no caso.

Na ocasião, Marcelo Silva e Roque Anildo teriam oferecido a Dóia a execução da atividade de registro junto ao Detran dos contratos de financiamento de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil, de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor dizendo que apresentariam ao então presidente da EIG Mercados.

Conforme, o MPE, na ocasião a empresa se oferecia a formular contrato administrativo com o Detran para prestar o serviço de registro de contratos junto à entidade de trânsito. Na oportunidade, um dos sócios da empresa, a fim de garantir a prestação de serviços, teria se comprometido a repassar o valor equivalente ao pagamento de um mês às campanhas eleitorais do deputado Mauro Savi e do então governador Silval Barbosa.

Os promotores dizem que a promessa teria sido cumprida no valor de R$ 750 mil para cada um dos candidatos, logo após a assinatura do contrato.

Para que a empresa fosse a vencedora do edital, na época o antigo presidente do Detran determinou que a comissão de licitações do Detran confeccionasse o edital de licitação nos mesmos moldes que a empresa FLD Fidúcia - hoje EIG Mercados - já havia vencido no Piauí. Desde então, segundo o MPE, a empresa é responsável pelo pagamento de propinas a organização ciminosa.

Consta nas investigações que após a assinatura do contrato administrativo, "Mauro Savi, Claudemir Pereira dos Santos, Teodoro Lopes e outros investigados se organizaram a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede de proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias da parte da FDL, propina na ordem de 30% (trinta por cento) do valor recebido pela FDL do Detran repassado por intermédio de empresas fantasmas que foram criadas em nome dos integrantes da rede de proteção do contrato".

"Esquema que teve continuidade com a mudança de Governo e a participação de Paulo César Zamar Taques e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques", afirmou o MPE.

Os promotores explicam que no ano de 2015 - quando Silval da Barbosa deu lugar ao atual governador Pedro Taques -, ao ter informações do esquema de recebimento de propinas operado dentro do Detran, Paulo Taques e Pedro Zamar Taques - primos do governador - apropriaram-se do esquema de recebimentos,  com ajuda de Valter José Kobori.

Em depoimento colhido junto a um dos proprietários da empresa EIG Mercados Ltda, foi revelado ao MPE que após acertar os pagamentos com a antiga gestão Silval Barbosa a EIG Mercados contratou Valter Kobori como CEO (Chief Executive Officer). Desde então seria ele a pessoa responsável em receber pessoalmente a propina sob título de bônus pelos serviços pessoais prestados a empresa e repassar o dinheiro para Paulo Taques.

Segundo o depoimento as negociações foram feitas antes mesmo do resultado das eleições de 2014 onde Valter Kobori já havia combinado com Paulo Cesar Zamar Taques o auxílio para manutenção do esquema.

 

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