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/ DEPOIMENTO AO GAECO

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13.05.2018 | 17h15
Kobori nega que Paulo e Jorge Taques tenham exigido propina
Ele afirmou ter dito a delator que Governo não cobraria propina, pois "conhecia índole de Taques"
Alair Ribeiro/MidiaNews
O ex-presidente da EIG Mercados, José Kobori
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Em depoimento de mais de 7h na sede do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), na última sexta-feira (11), o ex-presidente da EIG Mercados, José Kobori, negou o pagamento de vantagens indevidas ao ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, e ao advogado Pedro Zamar Taques, que são irmãos.

A declaração foi feita aos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Carlos Roberto Zarour Cesar. O empresário foi preso na última semana em Brasília (DF), quando deflagrada a segunda fase da Operação bererê, denominada Bônus. A operação apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito do Detran-MT, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2009 a 2015. 

No depoimento, Kobori foi questionado sobre a revelação dos empresários José Ferreira Neto e José Henrique Gonçalves, pai e filho sócios da EIG Mercados Ltda., que são réus confessos do esquema, que o apontaram como um dos responsáveis pelo recolhimento da propina.

Segundo eles, Kobori fazia a intermediação da propina que passou a ser paga na atual gestão do Governo do Estado para que o contrato fosse mantido no Detran. Os valores ilícitos, segundo eles, teriam Paulo Taques como destinatário final.

Comentou com Neto que não haveria mais cobrança de propina por parte do Estado de Mato Grosso, já que conhece a índole da família

“O interrogando [José Kobori] já prestou os esclarecimentos a respeito desses fatos, reforçando que jamais houve qualquer pagamento de vantagens indevidas a pedido de Pedro Zamar Taques ou Paulo Taques”, diz trecho do depoimento do empresário.

Na oitiva, o empresário confirmou aos promotores que mantinha um “vínculo pessoal” com Paulo Taques e seu irmão. E que a relação do trio era de conhecimento do empresário José Neto.

Kobori disse, ainda, que comentou com o empresário que não haveria mais cobrança de propina do Estado a EIG no novo Governo.

“Que confirma também ter comentado com José Neto sobre essa amizade que mantinha com Pedro Zamar e Paulo Taques e que por isso comentou com Neto que não haveria mais cobrança de propina por parte do Estado de Mato Grosso, já que conhece a índole da família e tinha certeza dessa afirmação”, afirmou o empresário.

“Que ressalta que não teria essa mesma certeza em relação aos outros contratos da FDL/EIG com outros Detran’s, do Estado de Maranhão, Alagoas e Piauí; Que acredita que os contratos dos Detran’s desses Estados não tinham sido renovados, pelo simples fato de ter implementado compliance e não ter recebido os representantes desses Estados”, completou.

Veja fac-símiles do depoimento:

“Bônus”

A segunda fase da Operação Bereré resultou na prisão dos seguintes alvos: o deputado estadual Mauro Savi (DEM); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques e seu irmão Pedro Jorge Taques; os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, proprietários da Santos Treinamento; e o empresário José Kobori, ex-diretor-presidente da EIG Mercados.

De acordo com as investigações, entre os meses de julho e agosto do ano de 2009, quando Teodoro Moreira Lopes o “Dóia” ocupava o cargo de presidente do Detran, foi convocado para uma reunião no gabinete do deputado Mauro Savi. No local estavam presentes, além do parlamentar, Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, ambos investigados no caso.

Na ocasião, Marcelo Silva e Roque Anildo teriam oferecido a Dóia a execução da atividade de registro junto ao Detran dos contratos de financiamento de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil, de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor dizendo que apresentariam ao então presidente da EIG Mercados.

Conforme, o MPE, na ocasião a empresa se oferecia a formular contrato administrativo com o Detran para prestar o serviço de registro de contratos junto à entidade de trânsito. Na oportunidade, um dos sócios da empresa, a fim de garantir a prestação de serviços, teria se comprometido a repassar o valor equivalente ao pagamento de um mês às campanhas eleitorais do deputado Mauro Savi e do então governador Silval Barbosa.

Os promotores dizem que a promessa teria sido cumprida no valor de R$ 750 mil para cada um dos candidatos, logo após a assinatura do contrato.

Para que a empresa fosse a vencedora do edital, na época o antigo presidente do Detran determinou que a comissão de licitações do Detran confeccionasse o edital de licitação nos mesmos moldes que a empresa FLD Fidúcia - hoje EIG Mercados - já havia vencido no Piauí. Desde então, segundo o MPE, a empresa é responsável pelo pagamento de propinas a organização ciminosa.

Consta nas investigações que após a assinatura do contrato administrativo, "Mauro Savi, Claudemir Pereira dos Santos, Teodoro Lopes e outros investigados se organizaram a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede de proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias da parte da FDL, propina na ordem de 30% (trinta por cento) do valor recebido pela FDL do Detran repassado por intermédio de empresas fantasmas que foram criadas em nome dos integrantes da rede de proteção do contrato".

"Esquema que teve continuidade com a mudança de Governo e a participação de Paulo César Zamar Taques e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques", afirmou o MPE.

Os promotores explicam que no ano de 2015 - quando Silval da Barbosa deu lugar ao atual governador Pedro Taques -, ao ter informações do esquema de recebimento de propinas operado dentro do Detran, Paulo Taques e Pedro Zamar Taques - primos do governador - apropriaram-se do esquema de recebimentos,  com ajuda de Valter José Kobori.

Em depoimento colhido junto a um dos proprietários da empresa EIG Mercados Ltda, foi revelado ao MPE que após acertar os pagamentos com a antiga gestão Silval Barbosa a EIG Mercados contratou Valter Kobori como CEO (Chief Executive Officer). Desde então seria ele a pessoa responsável em receber pessoalmente a propina sob título de bônus pelos serviços pessoais prestados a empresa e repassar o dinheiro para Paulo Taques.

Segundo o depoimento as negociações foram feitas antes mesmo do resultado das eleições de 2014 onde Valter Kobori já havia combinado com Paulo Cesar Zamar Taques o auxílio para manutenção do esquema.

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