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/ PUBLICAÇÃO SOBRE MARIELLE

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20.03.2018 | 10h24
CNJ recebe duas ações contra desembargadora por notícia falsa
Marília de Castro Neves Vieira publicou notícias falsas sobre Marielle em uma rede social
Reprodução
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
DO G1

O PSOL protocolou, no início da noite desta segunda-feira (19), reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No dia 16 de março, dois dias após o assassinato da vereadora Marielle Franco, a magistrada publicou em seu perfil nas redes sociais informação mentirosa e caluniosa contra a vítima.

Na reclamação, o PSOL pede que o CJN apure a atitude de Marília e instaure processo legal administrativo disciplinar.

Marília publicou notícias falsas sobre Marielle em uma rede social. Na mensagem, a magistrada dizia que a vereadora "estava engajada com bandidos", tinha sido "eleita pelo Comando Vermelho" e era "um cadáver tão comum quanto qualquer outro".

Em nota, a desembargadora alegou que na tentativa de defender instituições policiais repassou, de forma precipitada, notícias que circulavam nas redes sociais. "A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações, para então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema. Reitero minha confiança nas instituições policiais, esperando, como cidadã, que este bárbaro crime seja desvendado o mais rápido possível. Independentemente do que se conclua das investigações, a morte trágica de um ser humano é algo que se deve lamentar e seus algozes merecem o absoluto rigor da lei", disse a desembargadora.

Desde a última quinta-feira (15), um grupo de advogadas tenta rastrear o material calunioso que está se espalhando pela web. Até a manhã de domingo, a iniciativa já contabilizava mais de 2 mil denúncias.

O objetivo é enviar todos os casos com autores identificados para investigação na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio, ou para retratação pública na Justiça. As denúncias podem ser recebidas no e-mail: contato@ejsadvogadas.com.br .

"Vamos mapear todo e qualquer ataque que venha pela internet, para entregar à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática", disse à TV Globo o vereador Tarcísio Motta (PSOL-RJ), colega de bancada de Marielle na Câmara do Rio.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), Felipe Santa Cruz, falou ao Fantástico sobre o risco gerado pela divulgação de informações falsas e caluniosas – sobretudo, quando veiculada por perfis de autoridades.

"O que reproduzimos sem verificação nas redes sociais fala sobre nós. Não podemos fazer isso, é gravíssimo. Estamos falando de outra pessoa. Quando uma autoridade faz isso sem verificar a veracidade do que está falando, ela está na verdade cometendo um crime, difamando, caluniando, traindo seu compromisso profissional".

Deputado federal

O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) desativou, nesta segunda, as contas oficiais de seu mandato em redes sociais. A decisão foi tomada após a repercussão negativa de um post, publicado no sábado (17), com informações falsas a respeito da vereadora Marielle Franco, morta a tiros na última quarta (14).

Ao G1, a assessoria do parlamentar informou que as contas no Twitter e no Facebook devem ser reativadas ainda nesta semana.

No domingo, Fraga falou à TV Globo sobre o conteúdo da postagem, e admitiu que errou por não checar a veracidade dos dados.

"O arrependimento, talvez, é em ter colocado algo que eu não tenha checado, que não tenha uma informação. Por eu ser um policial, um coronel da polícia [Militar do DF], eu deveria ter tido uma informação mais consistente, de uma fonte idônea", afirmou Fraga à TV Globo. "Eu não chequei as fontes. Isso, eu posso dizer que foi verdade."

No post, Fraga diz que Marielle teria sido alçada ao posto de "mito da esquerda" e que, na verdade, teria relação com o tráfico e o consumo de drogas.

A mensagem foi apagada no sábado, mas continuou a ser compartilhada em prints – tanto por apoiadores, como por pessoas que faziam oposição ao conteúdo.

Durante a polêmica, Fraga chegou a bater boca com usuários do Twitter sobre outros assuntos, como o áudio revelado pela TV Globo em que o parlamentar fala sobre suposta propina no transporte público do DF.

'Fake news'

Conforme checagem da TV Globo e do G1, pelo menos quatro informações centrais da publicação de Fraga são falsas. Morta aos 38 anos, Marielle Franco engravidou aos 19, quando teve a única filha. Luyara Santos, de 19 anos, publicou um desabafo em redes sociais no dia seguinte à morte da vereadora: "Mataram minha mãe e mais 46 mil eleitores."

O pai de Luyara se chama Glauco dos Santos, e não tem relação com nenhum dos dois traficantes identificados como "Marcinho VP" – um deles morreu em 2003, e o outro está preso desde 1997.


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