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16.03.2018 | 16h58
MPE diz que policiais exigiram R$ 20 mil para não prender homem
Caso aconteceu em fevereiro do ano passado em um assentamento na região do Coxipó, em Cuiabá
Reprodução
Policias eram lotados na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores da Capital
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual denunciou à Justiça três policiais civis de Cuiabá pela suspeita de terem exigido R$ 20 mil de uma pessoa a quem acusavam de estar em posse de um carro roubado. 

De acordo com a denúncia, os investigadores Fábio Leite da Silva, Glauco Alves de França e Alessandro Vicente Ferreira dos Santos - lotados na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores da Capital (DERRFVA/MT) - deverão responder a processo por concussão, que é o crime em que servidor público exige vantagem em razão do cargo que ocupa.

A denúncia, assinada pelo promotor Reinaldo Rodrigues, é do dia 9 de fevereiro e foi protocolada na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Conforme o inquérito policial, o caso ocorreu na manhã do dia 7 de fevereiro de 2017, quando os policiais foram até o assentamento “Flor da Mata”, na região do Coxipó do Ouro, com um veículo descaracterizado.

Conforme relato, os policiais Alessandro e Glauco teriam abordado um homem identificado como Edson Ângelo em sua residência e informaram que o veículo na garagem era fruto de roubo. 

Ainda segundo a denúncia, Ângelo foi obrigado a se dirigir com o carro até a delegaca. Ele então entrou no Idea com o policial Alessandro, enquanto Glauco dirigia o carro da polícia descaracterizado. 

No caminho, o promotor relata que Alessandro teria proposto a Ângelo um “acerto” para que liberasse o veículo e o eximisse do auto em flagrante pelo roubo do carro. No processo de negociação, o policial teria pedido que Ângelo parasse o carro para que seu colega Fábio Leite entrasse no veículo. 

Identificando-se como “delegado de polícia”, segundo a denúncia, Fábio teria proposto que Ângelo lhes repasse R$ 20 mil. E ainda teria ameaçado matar o seu filho – que na ocasião estava preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Ainda conforme a denúncia, Edson afirmou ter apenas a quantia de R$ 10 mil. 

O pagamento

Consta na inquérito que embasou a denúncia, que, para efetivar o pagamento, foi necessário que Ângelo retornasse ao assentamento para pegar sua esposa.

 “[...] Que para efetuar o saque seria necessária a presença de sua esposa Rosenilda Alves da Silva, haja vista tratar-se da titular da conta bancária. Diante disso, já com o crime de concussão consumado, por volta de 11h50min, os três denunciados – juntamente com a vítima [...] – retornaram ao assentamento e buscaram a esposa da vítima Rosenilda Alves da Silva”, diz trecho do documento encaminhado à Justiça.

A denúncia relata ainda que o casal e os policiais civis foram até o banco para sacar os R$ 8 mil, pois a esposa de Ângelo já tinha R$ 2 mil em mãos. O dinheiro teria sido entregue diretamente para Alessandro.

Os policiais então teriam dado mais dois dias para que o casal conseguisse os outros R$ 10 mil. 

Entretanto, ficou constatado que o carro não era roubado.

Denuncia à corregedoria

Poucos dias depois, Edson Ângelo foi até a Corregedoria Geral da Polícia Civil e denunciou os três policiais.  

A denúncia do MPE conta que um relatório de investigação foi aberto no dia do ocorrido e assinado pelos policiais denunciados. Nele, consta que os policiais investigaram o veículo de Edson Ângelo.

“[...] Verificaram possível adulteração, motivo pelo qual o carro foi levado à unidade policial, onde depois apuraram que o veículo possuía apenas pendências administrativas e ‘finan’”.

O Ministério Público Estadual ainda aponta que o inquérito instaurado na Corregedoria “é vasta a prova documental juntada aos autos havendo confirmação, por intermédio de imagens captadas pelas câmeras de monitoramento controladas pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública – CIOSP e imagens gravadas por circuito de segurança da instituição financeira Sicoob, que o casal realmente esteve na agência bancária no dia 08/02/2017”.

Ainda consta que as vítimas reconheceram os três policiais no processo instaurado pela Corregedoria.

Na investigação interna da Policia Civil, Fábio e Alessandro disseram apenas que foram ao assentamento para que Edson Ângelo os auxiliasse em uma investigação.

“De modo que o motivo de terem retornado ao assentamento seria para que Edson pegasse o aparelho celular que estava em sua residência no intuito de entrar em contato com ‘Izaque’ (e, assim, prendê-lo com a ajuda de Edson), e não para que ‘Rosenilda’ fosse sacar o dinheiro na agência bancária”, consta na defesa dos policiais.

“Ademais, são robustos os elementos carreados no sentido de demonstrar que as vítimas permaneceram sob a custódia durante o período da manha e até o início da tarde, mesmo os denunciados omitindo o fato das vítimas terem adentrado na agência bancária durante o período em que elas estavam sob seus domínios, sob a alegação de que num determinado momento 'perdeu-as de vista'. Posto isto nota-se que os indícios de autoria e prova de materialidade estão comprovados nos autos”, diz a denúncia.

Suspeita de improbidade

O promotor Reinaldo Rodrigues ainda instaurou um processo preparatório para investigar suposta improbidade administrativa praticada pelos policiais. A portaria de abertura foi assinada na terça-feira (13).

O outro lado

A Polícia Civil informou ao MidiaNews que os investigadores foram transferidos e não atuam mais na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores da Capital .


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