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10.03.2018 | 10h30
Em depoimento, Riva aponta emissários da propina a deputados
Lista de investigados tem parentes, funcionários e gente de confiança de políticos
MidiaNews
O ex-deputado José Riva, que prestou depoimento ao MPE
RODRIGO VARGAS
DA REDAÇÃO

O ex-deputado estadual José Riva descreveu, em depoimento à Delegacia Fazendária, supostas conexões entre políticos e parte dos investigados sob suspeita de envolvimento no esquema de fraudes e desvio de verbas no Detran-MT.

Em meio a familiares, funcionários e "pessoas de extrema confiança", Riva indicou, na lista da Operação Bereré, os responsáveis por receber propina em nome de quatro deputados estaduais e uma prefeita: Mauro Savi (PSB), Romoaldo Junior (PMDB), José Domingos Fraga (PSD), Guilherme Maluf (PSDB) e a ex-deputada e prefeita afastada de Juara, Luciane Bezerra (PSB).

Outros investigados tiveram seus nomes ligados pelo ex-parlamentar aos deputados Eduardo Botelho (PSB), Baiano Filho (PSDB) e Nininho (PSD), aos ex-deputados Alexandre Cesar (PT) e João Malheiros, ao conselheiro afastado do TCE-MT e ex-deputado Sérgio Ricardo, ao deputado licenciado e secretário de Cidades, Wilson Santos (PSDB), além do ex-deputado federal Pedro Henry. Nestes casos, Riva mencionou apenas relações de confiança.

Riva prestou depoimento aos delegados Márcio Moreno Vera e Alexandra Fachone no dia 22 de fevereiro. Na ocasião, o ex-parlamentar disse que conhecia o suposto esquema do Detran e que em 2010 chegou a ser convidado por Mauro Savi para também ingressar no grupo de políticos beneficiários.

"[Savi] afirmou ao depoente que ele tinha uma participação em um esquema de recebimento de propinas no DETRAN"

"[Savi] afirmou ao depoente que ele tinha uma participação em um esquema de recebimento de propinas no DETRAN, tendo nesta oportunidade ofertado ao depoente participação no recebimento dessas propinas, mas o depoente acabou não indo atrás (...)", disse Riva, em um trecho.

Savi tinha "muito poder" no Detran, afirmou Riva: indicava os presidentes entre "pessoas de sua confiança". Em uma lista com 21 nomes de alvos da Operação Bereré, o ex-parlamentar identificou sete que estariam diretamente ligados ao deputado - entre eles um cunhado e uma funcionária de seu gabinete.

Riva citou a participação de Dalton Luiz Santos Vasconcellos, Adriana Rosa Garcia de Souza, Andreo Darci Mensch Leite e Cleber Antônio Cini, o "Binho", como emissários que Savi "utilizava para o recebimento de propinas".

No caso do deputado Romoaldo Junior, continuou o ex-parlamentar, o mesmo papel era exercido por Francisvaldo Mendes Pacheco, conhecido como "Dico". "Dico é pessoa de extrema confiança do Deputado (...) Romoaldo se utiliza de Francisvaldo para receber propinas", afirmou.

Três nomes de investigados foram vinculados por Riva ao deputado Guilherme Maluf: Moisés Dias da Silva, Nelson Lopes de Almeida e Odenil Rodrigues de Almeida. Este último, de acordo com o depoimento, seria o responsável por receber os pagamentos relacionados ao esquema.

Ao ser questionado sobre a investigada Maria de Fátima Azóia Pinotti, Riva disse que se trata de uma prima da ex-deputada e prefeita afastada de Juara, Luciane Bezerra.

De acordo com Riva, propinas oriundas do esquema descoberto pela Operação Ventríloquo foram depositadas, a pedido de Luciane, na conta da Fama Serviços Administrativos LTDA, empresa da qual Pinotti é sócia.

Parcela dos nomes citados por Riva é investigada em outras operações. Cleber Cini, Odenil Almeida e Francisvaldo Pacheco, por exemplo, são reús da Operação Ventríloquo, juntamente com Savi e Romoaldo, pela suspeita de participação em esquema que teria desviado R$ 9,5 milhões da Assembleia, por meio de pagamento indevido e superfaturado ao ex-advogado do extinto HSBC (atual Bradesco), Joaquim Mielli.

Odenil Almeida e Tschales Tschá também são réus da Operação Convescote, que apura desvio de mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos, por meio de convênios firmados entre a Faespe e a Assembleia, Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Secretaria de Estado de Infraestrutura e Prefeitura de Rondonópolis, entre 2015 e 2017.

Assessores de Maluf e Nininho, respectivamente, Odenil e Tschales teriam atestado serviços inexistentes das empresas "fantasmas" usadas para os desvios. 

Já Moisés Dias da Silva é acusado de ter integrado a organização criminosa que fraudou licitações e exigiu propina de empresários no âmbito da Secretaria de Estado de Educação, esquema desbaratado na Operação Rêmora. Ele teria sido inserido no esquema por indicação de Guilherme Maluf, também investigado pelos mesmos fatos.

Midianews

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Outro lado

Por meio de nota, o deputado Mauro Savi negou envolvimento com o esquema descoberto no Detran-MT e negou que tenha mantido a conversa descrita po Riva em seu depoimento.

Ele declarou que está à disposição da Justiça e que irá se pronunciar "no âmbito do inquérito, quando ele for instaurado".

O deputado Guilherme Maluf, também em nota, disse desconhecer "qualquer ligação do seu nome com a operação Bereré".

"O parlamentar informa que nunca atuou politicamente junto ao DETRAN durante seus mandados de deputado estadual e nem designou servidores de sua confiança para qualquer relacionamento com o órgão", afirmou.

Maluf disse, ainda, que não foi alvo de nenhum mandado solicitado pelo MPE e que "qualquer pessoa que esteja querendo vincular seu nome a operação está agindo de má fé, tentando confundir a Justiça no andar das investigações"

A reportagem procurou a assessoria de Luciane Bezerra e deixou recados que não foram respondidos até a publicação dessa reportagem. A assessoria de  José Domingos Fraga disse que o deputado está de licença médica e não irá se pronunciar. Uma recado foi deixado na caixa de mensagens  do telefone do deputado Romoaldo Junior, mas não houve resposta.


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