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09.03.2018 | 14h59
Delegada se irrita e nega ter sido a informante dos “grampos”
Alessandra Saturnino afirmou que não encaminhou denúncia anônima a promotor de Justiça
Alair Ribeiro/MidiaNews
A delegada Alessandra Saturnino: "Não fui eu quem encaminhei denúncia"
LUCAS RODRIGUES E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A delegada Alessandra Saturnino, da Polícia Civil, negou ter sido a informante responsável por encaminhar ao promotor Mauro Zaque os dados que originaram a denúncia relativa ao esquema de interceptações clandestinas que operou no Estado.

Ela prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (09), na 11ª Vara Militar do Fórum de Cuiabá, na ação penal que apura os crimes militares relativos ao caso.

São réus do esquema o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista; e o cabo Gérson Correa Júnior. Dos cinco, apenas Gérson continua preso.

O esquema funcionava por meio da tática de “barriga de aluguel”, quando números de pessoas que não têm qualquer relação com investigações policiais são inseridos de maneira disfarçada – sob outras identificações –, em pedidos de quebra de sigilos telefônicos feitos à Justiça.

Na oitiva, a delegada disse que soube do caso através do promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi o autor da denúncia relativa ao esquema de escutas.

“Eu não me recordo de nenhuma demanda sobre isso [escutas]. Foi o Mauro Zaque quem me disse sobre a denúncia e que já estava dando os encaminhamentos. Ele me chamou na sua sala e me contou que recebeu uma denúncia anônima sobre o fato e que já estava tomando providências”.

O fato de eu estar na Inteligência pode levar de forma equivocada a interpretação de que o promotor Mauro Zaque tenha recebido a denúncia através de mim, o que não aconteceu doutor

Ao juiz Murilo Mesquita, a delegada disse que por trabalhar no setor de inteligência da Polícia Civil e ter atuado em operações relacionadas ao caso, poderia haver uma interpretação equivocada de que ela teria sido a responsável por formular a denúncia anônima.

Em tom de irritação, a delegada disse que a defesa do coronel Ronelson Barros estava induzindo a Justiça a acreditar que teria sido ela quem passou as informações. Porém, Alessandra negou ter sido a informante e insistiu que só soube do caso após a conversa com o promotor.

“Não sei quem encaminhou a denúncia, o que eu sei é que não fui eu. O fato de eu estar na Inteligência pode levar de forma equivocada a interpretação de que o promotor Mauro Zaque tenha recebido a denúncia através de mim, o que não  aconteceu doutor", disse a delegada, se dirigindo ao advogado Saulo Gahyva, que defende Barros

Juiz manda delegada falar (atualizada às 09h59)

O advogado Saulo Gahyva perguntou quem poderia cogitar que foi ela quem entregou a denúncia anônima.

"Boatos surgiram, mas eu não vou falar sobre isso", responde Alessandra.

Gahyva então pediu para que o juiz Murilo Mesquita mandasse ela falar, solicitação que foi acatada pelo magistrado. 

"Foram várias  pessoas que vieram falar comigo, mas não lembro nomes".

Gahyva então questionou a delegada pelo fato de ela estar sob juramento de falar a verdade mas, ao mesmo tempo, dizer que não lembra quem falou sobre a possibilidade de atribuírem a ela a denúncia anônima.  

"Foram várias pessoas. Eu quero afirmar aqui, estou sobre juramento, que não fui eu a informante".

Alessandra relatou que Zaque não deu detalhes a ela sobre como identificou os números grampeados nem quais os encaminhamentos que o promotor deu depois das reuniões. 

"Eu acredito que como ele tava tomando as providências, resolveu ele me noticiar. Nos reunimos três vezes. Na primeira que ele me disse sobre a denúncia, e outras vezes não era esse o objeto da conversa, mas foi tocado no assunto, e em uma dessas conversas ele disse pra mim que o fato era muito triste e preocupante".

"Me assustei" (atualizada às 10h07)

A delegada contou à Justiça que ficou assustada com os fatos relatados por Mauro Zaque, pois atuou na Operação Forti e até então não suspeitava que números de telefone haviam sido inseridos indevidamente para interceptar pessoas comuns.

"Eu me assustei, por exemplo, com a notícia da ilegalidade da operação Forti, porque dizia que dois números tinham sido inseridos de forma suspeita. Esses dois números os áudios deles não tinha m sido encaminhados pelo fórum". 

Alessandra disse que o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, procurou a Secretaria de Segurança Pública para denunciar que a ex-amante dele, a publicitária Tatiane Sangalli, estaria armando um plano contra o governador Pedro Taques, a mando do ex-bicheiro João Arcanjo.

Posteriormente, após a descoberta do esquema, as investigações apontaram que Paulo Taques teria inventado a história para poder grampear Sangalli e a própria secretária de seu escritório de advocacia, Caroline Mariano. 

"Quando o Paulo Taques procurou a Secretaria de Segurança para falar a respeito da ex-amante dele e disse que temia pela integridade física dele e do governador, eu reportei a situação à delegada Alana Cardoso, que na época era diretora de inteligência da PJC e estava à frente de uma operação sobre o presídio, já que o secretário disse que tinha envolvimento de Tatiane com um  presidiário ex-chefe do crime organizado."

"Na conversa com Paulo Taques, foi dito que era importante que fosse repassado o caso à GCCO [Gerência de Combate ao Crime Organizado]. Procurei o Flávio [Stringueta, delegado] dizendo que ele seria procurado. Depois ele disse que recebeu uma denúncia anônima relatando esses fatos".

Leia mais sobre o assunto:

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