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/ DOAÇÃO DE R$ 600 MIL

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23.02.2018 | 17h49
PGR suspeita que deputado tenha usado a ex para “lavar” propina
Informação consta em ofício enviado por Raquel Dodge ao Supremo Tribunal Federal (STF)
Alair Ribeiro/MidiaNews
O deputado estadual Romoaldo Júnior: doação sob suspeita
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

A procuradora geral da República, Raquel Dodge, investiga possível lavagem de dinheiro promovida pelo deputado estadual Romoaldo Júnior (MDB), referente à suposta propina de R$ 600 mil que o parlamentar teria recebido no Governo Silval Barbosa, oriunda de pagamentos ilícitos de construtoras do Programa MT Integrado.

De acordo com a procuradora, o político é suspeito de ter usado a mãe de sua filha, a assessora jurídica Maria Aparecida Gonçalves, para lavar a propina recebida.

A informação consta em ofício enviado por Raquel Dodge ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela investigação da Operação Malebolge, deflagrada em setembro do ano passado.

Romoaldo foi um dos sete deputados alvos da busca e apreensão durante a operação, em razão dos indícios de que teria recebido propina para apoiar a gestão passada do Executivo.

Amanda Perobelli/Estadão

raquel dodge

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge

Durante o cumprimento dos mandados, todavia, a Polícia Federal ingressou na residência de Maria Aparecida, no Bairro Jardim Aclimação, em Cuiabá, uma vez que constava que o endereço seria de uma das propriedades de Romoaldo.

No local, a PF encontrou duas declarações de Imposto de Renda dos anos de 2015 e 2016 da assessora jurídica, que constava doações anuais de Romoaldo em favor dela no valor de R$ 300 mil por ano.

“É importante destacar que entre os crimes investigados, em tese praticados por Romoaldo Júnior, encontra-se o crime de corrupção passiva por ter recebido a quantia de R$ 600 mil, em doze parcelas de R$ 50 mil do então governador Silval Barbosa na condição de deputado estadual para manter a governabilidade, votar de acordo com os projetos do governo e não investigar os membros do alto escalão”, citou Raquel Dodge.

A procuradora mencionou a necessidade de analisar os documentos apreendidos, tanto pela “coincidência” do valor da doação em favor de Maria Aparecida ser o mesmo da propina supostamente recebida, quanto pelo possível crime de lavagem de dinheiro na transação.

“Como declarado pela própria Requerente [Maria Aparecida], o Deputado Estadual Romualdo Junior além de ajudar no custeio das despesas do lar, também é responsável pela aquisição de automóvel e imóvel de luxo usufruído pela Requerente”.

Depoimento

Durante as buscas, Maria Aparecida reclamou que o deputado não mora nem nunca morou naquele local. A PF então convidou a assessora jurídica a depor e explicar melhor a situação.

Entre os crimes investigados, em tese praticados por Romoaldo Júnior, encontra-se o crime de corrupção passiva por ter recebido a quantia de R$ 600 mil, em doze parcelas de R$ 50 mil do então governador Silval Barbosa

Maria Aparecida relatou que teve um relacionamento com o deputado em 2011, e posteriormente uma filha com ele, mas a relação amorosa terminou. Ela contou que trabalha na assessoria jurídica do juiz Mario Kono, do Juizado Criminal da Capital, e recebe R$ 14 mil por mês.

Desde o nascimento da filha, segundo a assessora, Romoaldo presta assistência integral, tanto presencial quanto financeira.

“Todo mês Romoaldo ajuda nas despesas da casa, pois eu não tenho condições de arcar sozinha. Não tenho conhecimento se Romoaldo Júnior tem outra atividade laboral além de ser político [...] O veículo que eu possuo atualmente [Hyundai IX 35] Romoaldo Júnior ajudou a adquirir”.

Maria Aparecida afirmou que não tem conhecimento sobre as doações de Romoaldo a ela, no total de R$ 600 mil, que constam em suas declarações de imposto de renda.

“Não tenho conhecimento, visto que quem fazia minha declaração era o despachante conhecido por Paulinho, que tinha escritório na Beira Rio. Paulinho mudou o escritório e agora trabalha próximo a Polícia Federal. Não sei informar se houve participação de Romoaldo Júnior na elaboração da minha DIRPF [Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física]”.

A assessora ainda relatou que seu patrimônio gira em torno de R$ 750 mil, dos 60% são decorrentes da ajuda do deputado.

“Não tenho conhecimento de nenhum envolvimento de Romoaldo Júnior com atividades criminosas, lavagem de dinheiro ou atos de corrupção”, depôs.

Outro lado

O deputado Romoaldo Júnior afirmou ao MidiaNews afirmou que as doações feitas à mãe de sua filha ocorreram dentro da legalidade e foram incluídas em seu Imposto de Renda. 

"Se eu não declarasse no IR aí sim seria ilícito", alegou Romoaldo. 

Veja fac-símile da busca e apreensão, onde consta as declarações:

doação romoaldo para a ex

 

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