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/ APÓS AUDIÊNCIA

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25.01.2018 | 16h03
OAB pede gravação para provar suposta ameaça feita por ex-juiz
Advogada Luciana Nazzari denunciou ter sido ameaçada por Paulo Martini, em Sinop
MidiaNews/Montagem
O ex-juiz Paulo Martini (detalhe), acusado por advogada de ter feito ameaça
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O presidente da subseção de Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Guerra, requereu à Justiça do Trabalho as imagens das câmeras de monitoramento do Fórum Trabalhista da cidade, visando a comprovar uma suposta ameaça feita pelo ex-juiz Paulo Martini contra a advogada Luciana Lazzari.

A advogada afirmou ter sido ameaçada pelo juiz e agredida pelo filho dele, Paulo Eduardo Martini, após uma audiência trabalhista, na manhã da última terça-feira (23). 

A confusão foi iniciada durante a própria audiência, quando Paulo Martini interveio em uma discussão entre a advogada Luciana Nazzari e o filho do ex-magistrado, chamando a profissional de “incompetente”.

A advogada então rebateu e chamou o juiz de “corrupto”. A ofensa teria se baseado no fato de Martini ter sido demitido pelo Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), em fevereiro de 2016, por corrupção passiva.

O senhor Paulo Martini a chamou de ‘vagabunda’ por aproximadamente 10 vezes, e disse que ‘daria um tiro em sua cara’

Ele foi acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter pedido um trator agrícola e R$ 7 mil em dinheiro ao advogado Celso Souza, em 2004, em troca de decisões favoráveis em processos defendidos pelo profissional.

Segundo o Boletim de Ocorrência, quando a advogada deixou a audiência com seu cliente, Paulo Martini e seu filho acuaram os dois na parte externa do Fórum.

“O senhor Paulo Martini a chamou de ‘vagabunda’ por aproximadamente 10 vezes e disse que ‘daria um tiro em sua cara’”.

Luciana Nazzari também disse, no B.O., que Paulo Eduardo Martini a empurrou algumas vezes, sendo necessária a interferência da Polícia Militar.

“Porém, o senhor Paulo Martini não foi conduzido por dizer que era juiz e que não cabia prisão àquela situação”.

Providências

De acordo com o presidente da OAB em Sinop, as imagens poderão constatar as agressões e ameaças sofridas pela profissional, para posterior ingresso de ações cíveis e criminais.

A previsão é de que as imagens sejam fornecidas ainda nesta semana.

Felipe Guerra também requereu o relatório do corpo de guarda dos militares que interviram na situação, documento que, segundo ele, irá possibilitar com que sejam feitas as “devidas representações para apurar a conduta ética do magistrado afastado”.

O presidente da OAB em Mato Grosso, Leonardo Campos, também repudiou as ameaças e agressões relatadas pela advogada. 

“Em hipótese alguma a OAB-MT admitirá esse tipo de situação. É inadmissível a intimidação ao exercício profissional. Não há liberdade sem advocacia e, muito menos, advocacia sem liberdade”, disse.

Leia mais sobre o assunto:

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