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J. Estadual / "ARREGAÇAR"

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05.12.2017 | 15h11
Em audiência, cabo se retrata e promotor retira queixa-crime
Gerson Correa e Mauro Zaque se encontraram em Juizado Criminal nesta terça-feira
Alair Ribeiro/MidiaNews
O cabo PM Gérson Correa, que está preso desde maio por envolvimento no caso dos grampos
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O promotor de Justiça Mauro Zaque desistiu da queixa-crime por ameaça ingressada contra o cabo PM Gerson Luiz Correa Junior.

O militar, que está preso desde maio acusado de envolvimento no caso dos grampos ilegais, falou em “arregaçar de qualquer jeito” o promotor de Justiça, que é autor da denúncia da existência do esquema de escutas clandestinas.

A desistência foi motivada pelo pedido de desculpas formalizado pelo cabo durante audiência de reconciliação no Juizado Especial Criminal, na manhã desta terça-feira (5).

Ele se retratou, pediu desculpas, disse que o objetivo da palavra ‘arregaça’ não era no sentindo de ameaça, mas sim de desqualificar o teor da denúncia que fiz

“Ele se retratou, pediu desculpas, disse que o objetivo da palavra ‘arregaçar’ não era no sentindo de ameaça, mas sim de desqualificar o teor da denúncia que fiz”, explicou Zaque ao MidiaNews.

“Eu entendi que ele estava falando a verdade, que estava arrependido e pedi para que a ação fosse arquivada”, completou o promotor.

A ameaça

A suposta ameaça ao promotor Mauro Zaque foi revelada por um amigo de infância do cabo em depoimento à Polícia Civil.

Segundo o amigo, que não teve o nome revelado, o cabo teria feito a ameaça em mensagens de WhatsApp. As mensagens foram trocadas já no período em que o PM estava preso.

O amigo foi também o responsável por denunciar a existência de supostas regalias ao cabo no presídio militar de Santo Antônio de Leverger - atualmente o cabo está preso na sede da Rotam-, como internet, geladeira, ar-condicionado split e até um micro-ondas.

O amigo decidiu relatar a ameaça e as regalias após descobrir que ele e a esposa haviam sido grampeados de modo ilegal.

Os números de telefone dele e da esposa foram divulgado numa lista com centenas de pessoas greampeadas ilegalmente.

Escutas ilegais

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), por Mauro Zaque, que foi ex-secretário de Estado de Segurança Pública. 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques (PSDB), em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra o ex-secretário.

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

No pedido de quebra dos sigilos dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha partiu da Comarca de Cáceres, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Helio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.


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