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22.11.2017 | 09h00
Joaquim vê "ataque político" e diz que ação da PF "fere" honra
Mandados foram cumpridos em casa e gabinete de conselheiro afastado; foram apreendidos vários itens
Alair Ribeiro/MidiaNews
Antônio Joaquim criticou vazamento de lista de apreensão em sua casa e em seu gabinete no TCE
VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antônio Joaquim, afirmou que a divulgação de itens apreendidos pela Polícia Federal, em sua residência e em seu gabinete, durante a Operação Malebolge, é uma tentativa de ferir a sua honra.

Na tarde de terça-feira (21), a lista dos 141 itens apreendidos pela PF foi divulgada pelo site HiperNotícias. Entre os materiais, estão duas armas  – um revólver e uma pistola –, 61 munições de calibre .380, diversos colares e anéis, além de documentos.

Para ele, a divulgação dos itens foi uma tentativa de prejudicá-lo. “Gostaria de repudiar com veemência o uso político da situação, numa tentativa vil e em vão de ferir minha honra, acabar com minha dignidade e manchar minha trajetória de 37 anos de serviços prestados à sociedade mato-grossense”, afirmou.

Na operação da PF, que tem como base a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, Joaquim é acusado de ter recebido propina para aprovar contas do ex-chefe do Executivo estadual.

Conforme Silval, os membros do TCE teriam recebido R$ 53 milhões para não atrapalhar o andamento de obras da gestão do ex-peemedebista.

Em virtude da operação, Antonio Joaquim foi afastado de suas funções e ainda foi alvo de buscas e apreensões em sua residência e em seus gabinetes no TCE.

Por meio de comunicado, divulgado na noite de terça-feira (21), o conselheiro afastado afirmou que os itens encontrados em sua casa e em seu gabinete são lícitos.

Ele declarou que não teme a análise que a Polícia Federal está fazendo nos objetos apreendidos.

Gostaria de repudiar com veemência o uso político da situação, numa tentativa vil e em vão de ferir minha honra

“Reitero minha total tranquilidade sobre a origem e licitude de todos os materiais que foram recolhidos pela PF”, disse.

O conselheiro afastado acredita estar sendo vítima de ataque político, desde que anunciou sua pré-candidatura ao Governo do Estado pelo PTB. Ele, no entanto, só poderá se filiar ao partido após conseguir sua aposentadoria, que segue judicializada e sem resposta do Executivo estadual.

“Desde o primeiro momento em que manifestei publicamente meu interesse em disputar o pleito 2018, passei à condição automática de alvo principal das investidas de políticos que temem ser derrotados pela democracia, bem como agentes públicos e membros de instituições que sonham em participar da vida política partidária, valendo-se das prerrogativas constitucionais inerentes à função”, disse.

“Reafirmo, sobretudo, minha serenidade ante ao ataque político-jurídico que passei a enfrentar. Certamente, o povo clama por mudanças. E a 'transformação' verdadeira tem um preço alto. Custa a coragem de encarar os autocratas nos olhos, sem medo de enfrenta-los. Acredito na Justiça e tenho fé de que a verdade prevalecerá”, acrescentou.

As apreensões

Na residência de Antônio Joaquim foram apreendidos 61 itens, sendo eles cinco telefones celulares da marca Apple; diversos pen drives; agendas com anotações manuscritas; CDs e DVDs; documentos diversos; cartões de memória; cartões bancário; tablets; computadores e um relógio de pulso.

No local também foram recolhidos diversos objetos de uso pessoal, sendo eles nove anéis; 18 pares de brinco; 20 colares; 11 pingentes; 13 pulseiras e uma peça de brinco avulso – aparentemente lacrado.

No gabinete da presidência do TCE, foram apreendidos 80 itens, como telefones celulares de diversas marcas; HD de computador; cartões de memória; agendas manuscritas; diversos documentos; cadernos; envelope; laptop e cheques.

Entre os documentos apreendidos no gabinete, consta uma pasta de papel branca com a identificação "Tribunal de Contas de Mato Grosso", com a inscrição "Bomba A", com diversos nomes.

Há ainda um envelope branco, com os dizeres: "Para Maura Sigiloso; Conselheiro Sérgio Ricardo e João Batista", que possuía diversos documentos.

Ainda entre os documentos apreendidos um envelope branco com a inscrição "A/C Ludmila", no qual havia 10 notas promissórias emitidas por um homem identificado como Wilian de Almeida.

O item foi encontrado na sala da assessoria do chefe de gabinete, que então pertencia ao conselheiro.

No Ministério Público de Contas, há um procurador chamado William Brito de Almeida Junior, mas ele afirmou, por meio da assessoria, que jamais fez negócio com o conselheiro. 

Após análise da Polícia Federal, os itens apreendidos serão encaminhados para a Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por conduzir as investigações.

Confira a íntegra da nota do conselheiro afastado Antonio Joaquim:

"Em relação às reportagens veiculadas pela imprensa sobre a lista de materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) em minha casa e gabinete no Tribunal de Contas do Estado (TCE), gostaria de repudiar com veemência o uso político da situação, numa tentativa vil e em vão de ferir minha honra, acabar com minha dignidade e manchar minha trajetória de 37 anos de serviços prestados à sociedade mato-grossense.

Desde o primeiro momento em que manifestei publicamente meu interesse em disputar o pleito 2018, passei à condição automática de alvo principal das investidas de políticos que temem serem derrotados pela democracia, bem como agentes públicos e membros de instituições que sonham em participar da vida política partidária, valendo-se das prerrogativas constitucionais inerentes à função.  

Reafirmo, sobretudo, minha serenidade ante ao ataque político-jurídico que passei a enfrentar. Certamente o povo clama por mudanças. E a “transformação” verdadeira tem um preço alto. Custa a coragem de encarar os autocratas nos olhos, sem medo de enfrenta-los. Acredito na justiça e tenho fé de que a verdade prevalecerá. E, por fim, reitero minha total tranquilidade sobre a origem e licitude de todos os materiais que foram recolhidos pela PF.    

Antonio Joaquim"

Leia mais sobre o assunto:

PF apreende joias, armas e munição na casa de conselheiro


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