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J. Estadual / GRAMPOS E EXONERAÇÕES

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12.10.2017 | 15h30
“Só o governador pode dizer por que não agiu de forma mais ativa”
Promotor Fábio Galindo chegou a exigir a exoneração de secretários envolvidos em esquema
MidiaNews
O ex-secretário de Segurança, Fábio Galindo, que chegou a exigir exoneração de supostos envolvidos em grampos
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O ex-secretário Executivo de Segurança Pública, promotor Fábio Galindo, afirmou não saber os motivos que levaram o governador Pedro Taques (PSD) a não exonerar, de forma imediata, membros de seu Governo acusados de envolvimento no escândalo dos grampos, assim que teve conhecimento dos fatos, ainda em 2015.

“Não faço ideia do porquê de o governador não ter agido de forma mais ativa nesse caso, no sentido de exonerar os supostos envolvidos de forma célere. Somente ele pode informar as razões e os motivos da sua tomada de decisão, ou do tempo para tanto”, disse Galindo.

A declaração está contida no depoimento prestado pelo ex-secretário no procedimento que investigou suposta fraude do promotor Mauro Zaque, autor da denúncia sobre os grampos.

O procedimento foi arquivado pelo MPE, após ficar comprovado que a fraude no protocolo da representação sobre as escutas ocorreu no âmbito interno do Executivo, sem qualquer participação de Zaque.

Não faço ideia do porquê de o governador não ter agido de forma mais ativa nesse caso, no sentido de exonerar os supostos envolvidos de forma célere. Somente ele pode informar as razões e os motivos da sua tomada de decisão

Ao longo de seu depoimento, Galindo confirmou que foi autor, em conjunto com Mauro Zaque, dos ofícios protocolados no Governo e que apontavam a prática de um esquema de escutas clandestina no Estado, inclusive, com a participação de membros do Poder Executivo.

Segundo Galindo, antes de o segundo ofício relatando a prática de grampos ser protocolado na Casa Civil, ele chegou a conversar com o governador sobre o assunto, e Taques teria assumido o compromisso de exonerar o então comandante-geral da PM, Zaqueu Barbosa, bem como o coronel Airton Siqueira (então chefe da Casa Militar).

O governador, teria, inclusive, autorizado Mauro Zaque – à época, secretário de Segurança - a conversar com Zaqueu e Siqueira sobre os fatos.

“Não participei dessas conversas, mas o Mauro Zaque me reportou que, de fato, chegou a conversar com ambos e eles não apresentaram resistência. Inclusive, houve concordância com as exonerações respectivas, colocando à disposição para marcar data de transmissão do comando da PMMT”, afirmou Galindo, em trecho de seu depoimento.

Na mesma época, conforme Galindo, o governador teria viajado até São Paulo para tratar do assunto com o então chefe da Casa Civil, Paulo Taques, sobre quem também pesavam indícios de participação no esquema.

Segundo Galindo, no entanto, no decorrer daquela semana, o governador não tomou qualquer providência em relação à exoneração dos secretários. Foi então que ele e Zaque decidiram protocolar na Casa Civil o segundo ofício relativo ao esquema de grampos.

“Secretário não manda”

Ainda em seu depoimento, Fábio Galindo afirmou que as divergências entre Mauro Zaque e o governador Pedro Taques teriam sido motivas exatamente por conta do episódio dos grampos.

Segundo o ex-secretário, eles discordavam em relação “à velocidade das providências” relacionadas ao caso.

“A divergência que havia entre o governador Pedro Taques e o secretário Mauro Zaque foi a questão da velocidade das providências. Então, esse foi exatamente o ponto da discórdia. Tendo declarado o governador Pedro Taques, inclusive, que 'secretário não manda em meu Governo’”, afirmou Galindo.

A divergência que havia entre o governador Pedro Taques e o secretário Mauro Zaque foi a questão da velocidade das providências; então, esse foi exatamente o ponto da discórdia

Ainda segundo ele, o governador teria tido que não agiria sob pressão.

Suposta fraude

O ex-secretário de Segurança afirmou também que acompanhou Mauro Zaque, quando ele esteve no protocolo do Palácio Paiaguás para entregar os ofícios relativos à denúncia dos grampos.

“Imagino que só o governador Pedro Taques pode explicar as razões de adotar tais providências (de exoneração dos responsáveis envolvidos) num tempo maior, fato este que desgostou o então secretário Mauro Zaque de Jesus, levando-o a pedir seu desligamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública”, disse.

Exoneração de Zaqueu

Por fim, Fábio Galindo afirmou também que aceitou o convite de Taques para que ele assumisse a Segurança Pública, em janeiro de 2016, após ter uma conversa definitiva com o governador. O encontro teria sido realizado no apartamento de Taques, com a presença do então secretário de Fazenda, Paulo Brustolin.

Naquela ocasião, Galindo impôs algumas condições para aceitar o convite, entre as quais a exoneração dos secretários envolvidos no esquema de grampos (Zaqueu Barbosa, Paulo Taques e Airton Siqueira). Taques, segundo ele, aceitou as condições.

“Entendi que valia a pena prosseguir no projeto e aguardar, corno um voto de confiança no governador, que afirmou que adotaria as providências necessárias, no seu tempo. Como demonstração disso, de imediato foi exonerado o Comandante Geral da PM Zaqueu Barbosa, principal implicado como suposto coordenador do escritório de grampos ilegais”, afirmou Galindo.

“Uma parte das promessas do governador foi cumprida, mas a outra foi abortada ao longo do processo”, disse o secretário.

 

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