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19.05.2017 | 09h07
“Nadaf botou a mão no bolso e me entregou”, diz delator
Ex-secretário chefe da Casa Civil confessou esquema de R$ 7 milhões, mas negou ter entregue propina
Reprodução
O ex-presidente do Intermar, Afonso Dalberto, que deu detalhes de suposto esquema em depoimento
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

Em depoimento prestado à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto explicou como recebeu os cheques no valor de R$ 500 mil, a título de propina, para autorizar a autarquia a comprar um terreno de R$ 7 milhões do médico Filinto Corrêa da Costa.

Conforme Dalberto, foi o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf quem fez o pagamento,  dentro da Casa Civil, em dezembro de 2015 (assista o vídeo ao final da matéria).

“Não me lembro o dia correto, mas era por volta de 19h, porque eu  sempre saia tarde do serviço. Meu ramal tocou,  porque na verdade o sistema de Governo, a senhora [juíza] deve conhecer, tem o sistema de ramal, todos os órgãos se comunicam por ramal, não se comunicam por outra forma. Então meu ramal tocou,  era para eu passar na Casa Civil”, disse. O depoimento ocorreu no dia 28 de setembro de 2016.

“Aí eu passei lá e o secretário da época, o senhor Pedro Nadaf botou a mão no bolso e me entregou.  Aí eu guardei, não contei, não olhei, não sei se era 5, se era 6 [cheques], não me lembro. Aí eu fiz o que? Eu já tinha combinado com um amigo meu que iria emprestar a ele.  Liguei para ele e emprestei, com 1% de juros ao mês. Era um rendimento que eu pensava ter”, afirmou.

Os fatos são relativos à Operação Seven, que apura suposto esquema que teria desviado estes R$ 7 milhões dos cofres públicos por meio da compra da área de terra de 727 hectares, localizada na região do Manso. Segundo as investigações, a área já pertencia ao Estado e foi "comprada" novamente do médico, em 2014, com preço superfaturado de R$ 4 milhões.

De acordo com o ex-Intermat, a propina foi entregue por Nadaf, em duas oportunidades. Na primeira e na segunda, ele recebeu cheques, totalizando R$ 250 mil cada.

“O segundo pagamento foi feito novamente no mesmo procedimento. No final da tarde, recebi ligação, passei lá [Casa Civil], recebi os cheques, ele [Nadaf] me entregou, eu guardei e passei para o mesmo amigo nessa aplicação de 1%”, contou.

Questionado pela magistrada se o amigo tinha conhecimento da origem do dinheiro, Dalberto garantiu que não.

“Não sabia por que eu não o avisei. E como eu tinha fazenda na época, eu sempre trabalhei muito com gado, desde muitos anos atrás,  1988, 19899, uma fazenda da família da minha esposa, e eu tocava ela, então eu sempre tive esse giro de dinheiro. Não falei nada para ele”, afirmou.

Trâmite ilegal

No depoimento, Afonso Dalberto também afirmou que para dar "legalidade" a compra do terreno deixou de enviar o processo ao setor jurídico da autarquia.

“O trâmite direto era eu encaminhar para o jurídico, onde  iam detectar todas aquelas situações que estou colocando. Mas eu de forma errônea encaminhei direto para o financeiro, onde o financeiro tomou as providências conforme as minhas orientações”, relatou.

Nadaf nega

Após as declarações de Afonso Dalberto, o ex-secretário Pedro Nadaf , também em depoimento a juíza Selma Arruda, confessou ter participado do esquema, mas negou ter entregado R$ 500 mil para o ex-intermat.

“Eu sei que ele recebeu esse dinheiro por meio das declarações deles, mas não fui eu quem entreguei, talvez foi o Chico Lima [procurador aposentado do Estado]”, disse.

Denúncia da Seven

Na primeira denúncia da Operação Seven, o Gaeco apurou suposto esquema que teve o intuito de autorizar o Intermat a comprar uma área rural de 727 hectares na região do Manso, que já pertenceria ao Estado e foi adquirida novamente de Filinto Corrêa, com preço superfaturado de R$ 4 milhões.

O valor pago pelo terreno, segundo o Gaeco, teria sido repartido entre os membros da alegada organização criminosa.

Desta primeira ação penal são réus: o ex-governador Silval Barbosa (PMDB); o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf; o ex-secretário adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro; o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o ex-procurador do Estado, Francisco Lima, o "Chico Lima"; o ex-secretário adjunto de Mudanças Climáticas, Wilson Pinheiro Taques; o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves de Souza Neto; o  médico Filinto Corrêa da Costa; e os servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Francisval Akerley da Costa e Cláudio Takayuki Shida.

Já na 2ª denúncia da Seven, o Gaeco afirmou que os valores supostamente desviados foram maquiados para ocultar a origem ilícita.

Alguns dos cheques emitidos por Filinto Corrêa após receber o montante chegaram a ser usados, segundo o MPE, no custeio da posse do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e em parte da decoração de flores da posse do governador Pedro Taques (PSDB).

O médico Filinto Corrêa, de acordo com a denúncia, também teria tentado ocultar o montante por meio de aplicações em previdências privadas. Parte dos R$ 7 milhões também teria sido repassada aos filhos do médico (João Celestino e Filinto Júnior) e usada para a compra de uma BMW X6.

O Gaeco também rastreou a compra, por parte do procurador aposentado Chico Lima, de uma moto BMW modelo R 1200 GS branca, ano 2015/15. O veículo também teria sido adquirido com o dinheiro lucrado no esquema.

Em relação a Pedro Nadaf, o Gaeco afirmou que o ex-secretário chegou a simular a negociação de uma fazenda e a compra de um carro para ocultar a origem dos cheques emitidos pelo médico.

Teriam participado destas tratativas o diretor do Sesc em Mato Grosso, Marcos Amorim da Silva, e os empresários Roberto Peregrino Morales Filho e Antônia Magna Batista da Rocha.

Já o ex-secretário Marcel de Cursi, segundo o Gaeco, teria utilizado a empresa de sua esposa Marnie de Almeida Cláudio (a M de A Claúdio EPP) para entregar três cheques ao ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros, para que este fizesse a troca por dinheiro.

Segundo o Gaeco, João Justino tinha o conhecimento da origem ilícita dos cheques, mas, mesmo assim, procurou o empresário André Luís Marques de Souza – do ramo de factoring - para realizar a troca, por meio do depósito dos cheques na empresa de Andre Luís.

O intuito, de acordo com a denúncia, seria movimentar os cheques de tal maneira que o dinheiro voltasse “limpo” a Cursi.

Ainda na denúncia, o Gaeco apontou que Afonso Dalberto e Luciano Amaral teriam feito operação financeira para ocultar a transferência de R$ 500 mil de Filinto Corrêa, relativa à suposta propina para que o ex-presidente do Intermat colaborasse com o alegado esquema.

Nesta segunda ação penal são réus: o médico Filinto Correa da Costa e seus dois filhos, o advogado João Celestino Correa da Costa Neto e o empresário Filinto Correa da Costa Junior; o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”; os ex-secretários de Estado Pedro Jamil Nadaf e Marcel Souza de Cursi; o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros; o diretor do Sesc em Mato Grosso, Marcos Amorim da Silva;  o fazendeiro Roberto Peregrino Morales; e os empresários Luciano Cândido do Amaral, Antônia Magna Batista da Rocha e André Luiz Marques de Souza.


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