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20.05.2020 | 16h57
Governo nega promover PM acusado de negociar informações no Gaeco
F.C.M. tentava ser promovido ao cargo de tenente da PM; ele é um dos investigados em operação
Alair Ribeir
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O governador Mauro Mendes (DEM) negou um recurso impetrado pelo subtenente da Polícia Militar F.C.M., que tentava ser promovido a tenente.

A decisão, publicada no Diário Oficial de segunda-feira (18), seguiu a orientação da Comissão de Promoção de Oficiais da Polícia Militar (CPO).

F.C.M. é um dos réus da ação penal derivada da Operação Convescote, que investigou um esquema que teria desviado mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos, por meio de convênios firmados entre a Faespe e a Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Secretaria de Estado de Infraestrutura e Prefeitura de Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá). 

O policial, que na época atuava no Gaeco, teria agido de forma a obstruir as apurações em curso, além de ter solicitado vantagem indevida no valor de R$ 10 mil a Hallan Gonçalves Freitas, que foi alvo da 1ª fase da Convescote e se tornou delator do esquema.

Negar provimento ao recurso interposto por Franckcinei Canavarros Magalhães, mantendo integralmente a decisão proferida pela Comissão de Promoção de Oficiais (CPO), que, por unanimidade, concluiu por não incluí-lo no quadro de acesso para promoção”

“Resolve (...) Negar provimento ao recurso interposto por Franckcinei Canavarros Magalhães, mantendo integralmente a decisão proferida pela Comissão de Promoção de Oficiais (CPO), que, por unanimidade, concluiu por não incluí-lo no quadro de acesso para promoção”, consta na decisão.

Entenda o caso

Em delação premiada firmada com o Ministério Público Estadual, Hallan - que é ex-funcionário da Faespe - entregou mensagens enviadas por WhatsApp em que um interlocutor até então desconhecido oferecia documentos sigilosos da investigação em troca do pagamento de R$ 10 mil.

De acordo com o delator, as ameaças começaram no final de 2016.

Hallan Freitas disse que o celular de sua esposa passou a receber mensagens, via WhatsApp, de um número cadastrado no nome dele, “de alguém dizendo que tinha documentos referentes à investigação, inclusive contendo fotografias minhas”.

Na primeira mensagem, conforme consta na investigação, o interlocutor avisou a esposa de Hallan Freitas para que o avisasse para entrar em contato, mas apenas via WhatsApp.

O interlocutor disse que tinha um documento muito “valioso” para Hallan, Benvenutti [Luiz Benvenutti, também investigado] e Jocilene [Assunção, diretora da Faespe].

“Diga para não ligar, tampouco enviar SMS, pois as duas formas podem ser rastreadas [...] Repito, não ligue... o cerco está se fechando e o documento que achei pode ajudar e muito”.

O autor da chantagem disse que “hackeava” órgãos e repartições e o documento que encontrou poderia ajudar Hallan. Nas mensagens, o policial enviou fotos de trechos do inquérito sigiloso, inclusive gráficos e imagens do monitoramento conduzido pelo Gaeco contra o delator, que hoje constam na ação penal.

“Esse documento pra mim não serve pra nada. Mas pra você pode significar muita coisa [...] Você deve estar sendo monitorado por algum motivo. Quero dez mil pelo documento... sem encontro pessoal, pois tenho certeza que está grampeado. Se não deve, pode ignorar”.

“Entenda que não é o único... tentei contato com a tal Jocilene, mas não consegui. O documento fala de uma Faespe, Unemat, TCE, Assembleia, Sicoob, Plante Vida, e por aí vai”, disse.

Por sua vez, o policial  F.C.M. negou ter sido o autor das mensagens. Na versão da defesa, não foi ele quem usou o celular de onde partiram as mensagens solicitando vantagens indevidas, e sim outro PM, que morreu em julho de 2017 .

F. alegou que não contou sobre a situação aos seus superiores para não “queimar” a imagem do colega, pois o mesmo já tinha morrido.

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