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18.05.2020 | 14h05
A vida em tempos de coronavirus
A partir desta nefasta doença, passamos a viver caos econômico, medo e desesperança
VALÉRIA BAGGIO

Todos os dias, há mais de 2 meses, vemos constantemente notícias com os crescentes números das vítimas do vírus Covid-19, doença que atingiu toda a humanidade, fazendo com que o mundo parasse completamente, em uma situação jamais vista na história.

A partir desta nefasta doença, cuja cura ainda não foi encontrada, passamos a viver um verdadeiro caos econômico, medo, desesperança e incerteza do futuro.

É lamentável e triste, que o número de vítimas fatais hoje no mundo, ultrapassem mais de 300 mil pessoas, mas é lamentável também, que uma parcela imensa da população mundial esteja em confinamento, e que sejam tão vítimas do vírus, como aquelas que foram contaminadas ou perderam suas vidas na luta contra a doença.

A humanidade está sendo vítima de uma doença desconhecida, mas também vítima das consequências de atos políticos, financeiros e emocionais advindas da pandemia, decorrentes do confinamento imposto pelas autoridades locais. É preocupante e alarmante a situação em que vivemos hoje, à mercê de uma doença ainda sem cura, mas especialmente à mercê de políticos e de um judiciário preocupados com o Poder.

Por força de determinações do poder público, grande parte das pessoas foram compelidas a ficarem de quarentena, confinadas em seus lares, deixando de produzir, de trabalhar, de estudar, de estarem com parentes e amigos, de fazerem coisas simples e rotineiras do dia a dia, sem previsão, estudos ou planejamento para retorno à normalidade.

A mídia somente tem olhos para as vítimas do coronavírus, mas esquece que aqueles que não contraíram a doença são tão vítimas quanto os infectados.

O isolamento social tem causado estagnação econômica, crise financeira, desemprego, aumento da população pobre, crescente número da criminalidade, problemas emocionais na população, entre várias outras consequências.

Nossos jovens estão sem perspectivas e desanimados, pela incerteza de quando terão suas vidas retomadas à normalidade.

Nossos idosos estão ficando depressivos pelo isolamento social e da família e pelo medo da doença.

Em meio a todo este cenário, nossos governantes estão preocupados infelizmente com politicagem, poder e dinheiro, apesar de tentarem demonstrar que seus feitos são com o objetivo de “salvar vidas”, em detrimento de salvar empregos e empresas.

Não é aceitável que a pretexto de “salvar vidas”, seja necessário arruinar vidas e arruinar o Brasil, como está sendo proposto pelos nossos governantes.

Morrem diariamente no Brasil, mais de 3.500 pessoas, e segundo o IBGE, só no ano de 2018, morreram 1.300.000 de doenças cardíacas, respiratórias, acidentes de trânsito, assassinato, feminicídio, de fome, entre outras causas, sem qualquer relação com o coronavírus, e nunca vimos dos nossos governantes, qualquer preocupação em construir hospitais, aumentar o número de leitos em UTI, adquirir equipamentos médicos, epi’s, tomar medidas para “salvar vidas”.

Será que as pessoas simplesmente pararam de morrer por outras causas e passaram a morrer apenas pelo vírus Covid?

Constantemente são editadas legislações com cunho ditatorial que usurpam os direitos humanos e constitucionais dos cidadãos, como direito à liberdade, direito ao trabalho, à saúde, à privacidade entre outros, sempre com o argumento de “salvar vidas”, e sem qualquer restrição do judiciário, ao contrário muitas vezes apoiada por ele, que mantém em decisões judiciais, os atos de abuso de autoridade cometidos pelos governantes, que infelizmente investem seu tempo e energia em proibições e penalidades ao cidadão.

A população pagará um preço muito alto, pela catástrofe que está sendo causada por interesses políticos das autoridades, ora governantes, e as consequências jamais serão cobradas destas pessoas, tampouco responderam pelos seus atos.

Não estamos livres do vírus, tampouco dos atos ditatoriais dos governantes. 

As empresas estão sendo impedidas pelo poder público de exercerem livremente sua atividade econômica, os trabalhadores de proverem o sustento das suas famílias, e isto sob pretexto de “salvar vidas”, mas fecham os olhos para milhares de pessoas que estão impedidas de viver, produzir e de alimentar seus filhos.

Grandes empresas já encerram suas atividades e muitas outras terão o mesmo destino, outras ainda sobrevivem a duras penas, mas não conseguiram superar a crise financeira se este cenário de paralização persistir, o que irá resultar em mais desemprego e comprometimento da subsistência de milhares de famílias brasileiras já tão sofridas pela desigualdade social.

Com o surgimento desta doença vimos o melhor de muitas pessoas, como atitudes de ajuda ao próximo e de misericórdia aos necessitados financeiramente e emocionalmente.

Observamos também, o lado sombrio de muitas pessoas, que se acham investidas de poder e autoridade, para tolher os direitos do seu semelhante.

Desprezar perdas humanas pelo Covid é impensável, a vida sempre será mais importante, em especial para aquelas famílias que perderam um ente amado para a doença, não sendo apenas um número para a estatística.

A vida das pessoas deve ser protegida com o mesmo cuidado que a das vítimas do coronavirus, e o propósito dos governantes deve ser preservar ao mesmo tempo a saúde pública a sobrevivência da população, realizando planejamento e estudos para o retorno das atividades econômicas, mediante protocolos de segurança e contenção do vírus.

Até quando ficaremos em confinamento ????????????

“O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada” “Albert Eistein”.

VALÉRIA BAGGIO é advogada.


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