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/ ATROPELAMENTO E MORTE

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02.01.2020 | 17h32
Prisão visa resguardar integridade física de motorista, diz juiz
Wesley Patrick, acusado de atropelar uma família de 3 pessoas, quase foi linchado por populares
TJMT
O juiz Wladymir Perri, da 3ª Vara Criminal
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O juiz Wladymir Perri, da Terceira Vara Criminal de Cuiabá, argumentou que a prisão do motorista Wesley Patrick Villas Boas de Souza, de 23 anos, se fez necessária para “resguardar a integridade física” do jovem.

A informação consta no termo de audiência de custódia, realizada nesta quarta-feira (1º), quando a prisão em flagrante do motorista foi convertida em preventiva. 

Wesley é acusado de atropelar uma família de três pessoas na Avenida dos Trabalhadores, na manhã de terça-feira (31). Na ocasião, duas crianças - sendo uma de 10 e outra de 3 anos - morreram e a mãe delas ficou gravemente ferida.

Na decisão, Wladymir Perri disse que o motorista chegou a levar um tapa no rosto de um dos populares que presenciou o atropelamento. 

“A tentativa de agressão contra o custodiado com certeza reclama a segurança da segregação provisória, até mesmo para resguardar a integridade física do conduzido, já que pela repercussão tomada pelo ocorrido poderá, futuramente, ser deduzida em desfavor do custodiado. Assim, sem maiores delongas, conforme consignado, a prisão se impõe”, determinou o magistrado.

A tentativa de agressão contra o custodiado com certeza reclama a segurança da segregação provisória, até mesmo para resguardar a integridade física do conduzido

O magistrado citou que Wesley prestou socorro às vítimas e chegou a ligar para autoridade policial e para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). 

No entanto, teve que ser retirado às pressas do local devido ao comportamento exaltado de populares que prometiam linchá-lo. O motorista ainda teve o carro apedrejado. 

“Esta é a maior prova e comprovação do clamor público, da revolta popular, ou seja, se a Polícia Militar não retirasse o custodiado do local, poderia sofrer maiores sequelas físicas, já que de certa forma sofrera, consoante relatado pelo próprio conduzido, ao afirmar que levara um tapa em seu rosto. Dessa forma, se temos um clamor público e clamor social, então, evidentemente que temos um dos requisitos da conversão da prisão preventiva”, destacou.

O magistrado ainda pontou que as investigações devem continuar sendo feitas pela  Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) para saber se o crime foi ou não intencional e levantar os culpados do caso. 

“A continuar a investigação dos fatos, principalmente, no aspecto de ser inquirida a única vitima sobrevivente, já que por razões óbvias não foi possível a sua inquirição, a fim de posteriormente, a quem detém atribuição legal para denunciar o custodiado, analisar se a conduta foi dolosa ou culposa. Fato é que, neste instante não me resta senão analisar diante, nada mais, nada menos, o que foi trazido na peça flagrancial”.

Devido a possível agressão que Wesley possa sofrer, o magistrado ainda determina que ele continue na Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em Cuiabá. A unidade é considerada mais segura por ter menos detidos que uma prisão comum. “Deverá nesse lugar permanecer, até decisão em contrário”, disse.

No caso

No dia do acidente, Wesley conduzia uma caminhonete Dodge Ram branca e, segundo informações de testemunhas, ele estaria dirigindo em zigue-zague na pista quando atingiu a família. Um menino de 10 anos morreu na hora.

O homem precisou ser conduzido até o Cisc Verdão pelos policiais militares para não ser linchado pelas testemunhas. As pessoas se revoltaram com a situação e jogaram pedras no veículo.

A mulher e a segunda criança, de 3 anos, foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e conduzidas até o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). No entanto, a menor não resistiu e morreu. 

A Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) está responsável pelo caso.

O velório e sepultamento das crianças aconteceram nessa quarta-feira (1º). A mãe, que segue internada, ainda não sabe sobre a morte das crianças.

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