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/ ESCUTAS ILEGAIS

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06.11.2019 | 17h02
Promotor pede condenação de três PMs e absolvição de dois
Interceptações clandestinas ocorreram entre os anos de 2014 e 2015, durante o Governo Pedro Taques
Alair Ribeiro
O promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza
THAIZA ASSUNÇÃO E CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

Começou na tarde desta quarta-feira (6) o julgamento dos policiais militares acusados de integrar um esquema de escutas clandestinas entre os anos de 2014 e 2015, durante o Governo Pedro Taques.

Durante o tempo destinado à acusação, o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza defendeu a condenação de três acusados e a absolvição de dois.

O julgamento é conduzido pelo juiz da 11ª Vara Militar, Marcos Faleiros, e tem previsão de encerramento na sexta-feira (8).

São réus na Justiça Militar o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Gerson Corrêa Junior.

Os coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco, assim como o cabo Gerson Corrêa, estão colaborando com a Justiça de forma unilateral e deram detalhes do esquema, durante depoimentos.

Confira em tempo real:

MPE faz sustentação oral (atualizada às 14h30)

O julgamento teve início às 14h20. O juiz Marcos Faleiros deu a palavra ao promotor Allan Sidney do Ó Souza, do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo o regimento, ele tem até três horas para fazer sua sustentação oral de acusação.

“Estamos diante de um triste, nefasto e vergonhoso escritório de arapongagem”, afirmou o promotor no início de sua fala. 

Bate-boca (atualizada às 14h45)

Victor Ostetti/MidiaNews

Allan do Ó

O promotor de Justiça Allan do Ó, que faz a acusação

O promotor Allan do Ó e o advogado Eurolino Sechinel dos Reis, que faz a defesa cabo Gerson, bateram boca já no início do julgamento.

O promotor realizava sua sustentação oral, quando o advogado pediu questão de ordem e solicitou que Allan do Ó, quando se referisse ao cabo Gerson, se dirigisse à defesa e não ao réu.

“Não vou perder meu tempo com o senhor. Toda vez é isso”, disse o promotor.

“A ampla defesa e o contraditório há de vingar aqui. Eu vou te interromper cada vez que o senhor falar o nome do meu cliente aqui”, rebateu o advogado.

Após a discussão, o juiz Marcos Faleiros concedeu o direito ao promotor de falar diretamente ao cabo.

"Desconheço um artigo da Constituição que possa vetar esse tipo de atuação do promotor", disse Faleiros.

Veja o vídeo do bate-boca:

MPE sugere que sem grampos Taques não ganharia eleição (atualizada às 15h)

Durante sua sustentação oral, o promotor disse que não descarta a possibilidade do ex-governador Pedro Taques ter ganhado as eleições em 2014 por conta das escutas ilegais.

“Eu não afirmo, mas não descarto a possibilidade de o governador Pedro Taques, sem esse escritório de escutas clandestinas, poderia não ter sido governador do Estado de Mato Grosso”, disse.

Victor Ostetti/MidiaNews

Zaqueu Barbosa

O coronel Zaqueu Barbosa, um dos réus do esquema de grampos

“O governador ganhou no primeiro turno das eleições de 2014, em uma vitória acachapante, mas quando não teve [o escritório dos grampos], perdeu” disse Allan do Ó aos gritos. 

"Divisor de águas" (atualizada às 15h20) 

Allan do Ó começa a ler a denúncia do MPE contra os policiais. Ele destacou que por envolver militares de alta patente, como é o caso do coronel Zaqueu, o julgamento "representa um marco, um divisor de águas".

Para o promotor, a vitória de Taques nas eleições favoreceu e muito para que Zaqueu Barbosa fosse nomeado comandante geral da Polícia Militar.

"Não estou dizendo que ele não seria comandante caso Taques não ganhasse, mas como ganhou, era óbvio que Zaqueu seria nomeado comandante geral da PM", disse.

Promotor defende condenação de três PMs e absolvição de dois (atualizada às 15h50)

Em suas alegações finais,o promotor de Justiça defendeu a rejeição das tentativas de colaboração premiada e de diminuição de pena tentadas pelas defesas de Zaqueu, Lesco e Gerson. 

Para Allan do Ó, Zaqueu, Lesco e Gerson devem ser condenados pelo Código Penal Militar. 

Já quanto os coronéis Ronelson Barros e Januário Batista, o promotor defende que eles sejam absolvidos.

Segundo Allan do Ó, não restou comprava a participação de Ronelson e  Januário no escritório de escutas clandestinas.

A suposta participação dos dois teria se limitado a indicar Euclides Torezan e Cleiton Dorileo para trabalhar no Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, sem conhecimento sobre os grampos.

"Se a dúvida sobrevier, ela deve favorecer a defesa", disse. 


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