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/ "COBRANÇAS"

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01.11.2019 | 14h24
Silval pressionou empresário: “Isso não vai ficar bom pra você”
MPE denunciou o ex-governador e mais cinco por esquema na concessão de incentivo fiscal
Alair Ribeiro
O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual apontou que ex-governador Silval Barbosa fez “cobranças incisivas e até agressivas” quando o empresário Milton Bellincanta deixou de pagar o restante da propina, combinada em R$ 5,6 milhões, em troca de benefícios fiscais a suas empresas. O ex-governador chegou a afirmar ao empresário: "Isso não vai ficar bom pra você”. 

O pagamento da propina foi uma exigência feita por Silval para conceder incentivos às empresas de Bellincanta, a Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos (Frialto) e Nortão Industrial de Alimentos.

A informação consta na denúncia do MPE contra Silval, Bellincanta, Antonio Barbosa (irmão de Silval) e os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Silval insistiu no pagamento do valor restante dizendo: ‘Essa história não vai acabar bem, eu já fiz a minha parte falta você fazer a sua’. Completando ainda: ‘Isso não vai ficar bom pra você caso não realize o pagamento do que você me dev

Também foi denunciado o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”.

Segundo a denúncia, até dezembro de 2014 o empresário pagou R$ 1,9 milhão de propina ao grupo.

Ele deixou de quitar o restante, conforme o MPE, porque, em janeiro de 2015, já no Governo Pedro Taques, a Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso ingressou com Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico para buscar a anulação judicial do acordo de incentivo fiscal. 

Bellincanta relatou que o grupo de Silval não aceitou a suspensão dos pagamentos e que, apesar das providências adotadas pela gestão do então emedebista não terem solucionado suas pendências tributárias, foi incessantemente cobrado pelo ex-governador para que realizasse o pagamento integral do valor ajustado.

“Ilustrando a postura destemida da organização criminosa, é oportuno registrar que cobranças incisivas e até agressivas aconteceram ao longo do ano de 2015, quando os seus membros já não participavam da Administração Pública, com exceção do denunciado Marcel de Cursi que, como se sabe, é servidor de carreira da Sefaz”, diz trecho da denúncia.

Ainda de acordo com a denúncia, no mês de abril de 2015, Silval solicitou uma reunião com Bellincanta, que aconteceu no seu escritório em Cuiabá, cujo objetivo foi exclusivamente o de cobrar o pagamento da propina remanescente.

Ainda em meados de 2015, conforme a denúncia, o empresário voltou a ser procurado por Silval, que solicitou uma nova reunião, realizada desta vez nas dependências do frigorífico Frialto, em Sinop.

“Na reunião compareceram os denunciados Silval Barbosa e Pedro Nadaf, sendo que Silval insistiu no pagamento do valor restante dizendo: ‘Essa história não vai acabar bem. Eu já fiz a minha parte, falta você fazer a sua’. Completando ainda: ‘Isso não vai ficar bom pra você, caso não realize o pagamento do que você me deve’”, diz trecho da denúncia.

Conforme o documento, as cobranças continuaram durante o segundo semestre de 2015, sendo que as duas últimas aconteceram na cidade de São Paulo, uma nas dependências de um hotel localizado na Vila Olímpia e outra no escritório da empresa, no mesmo bairro.

Segundo o MPE,  as cobranças só cessaram porque o ex-governador foi preso em setembro de 2015.

Fac-símile de trecho da denúncia:

Reprodução

MPE - Silval ameaca

 

Leia mais: 

MPE denuncia Silval e mais 5 por propina milionária em incentivos

 


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