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02.10.2019 | 16h24
MPE finaliza 3 sindicâncias e inocenta promotores e procuradores
Depoimentos resultaram na abertura de nove processos internos - seis ainda não foram concluídos
Luiz Leite
O procurador de Justiça Domingos Sávio
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A Corregedoria Geral do Ministério Público Estadual (MPE) inocentou promotores e procuradores de Justiça em três sindicâncias abertas para investigar casos relatados por militares que são réus no esquema conhecido como “Grampolândia Pantaneira”.

Em julho, durante audiência na Vara Militar, os coronéis da Policia Militar Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e o cabo Gerson Correa fizeram acusações sobre ilegalidades supostamente cometidas por membros do MPE. 

Os depoimentos resultaram na abertura de nove procedimentos investigatórios no órgão - e três deles foram concluídos. 

São eles: a suposta participação do ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado no “sumiço” de uma placa Wytron (escutas telefônicas); suspeita de barriga de aluguel realizada por parte dos promotores nas operações Imperador e Aprendiz; e sobre o promotor de Justiça Marcos Regenold, que, segundo os PMs, teria falsificado a assinatura de um analista de interceptação no ano de 2013.

A Operação Aprendiz foi deflagrada em 2013 e investigou um esquema de desvio montado na Câmara de Cuiabá pelo ex-vereador João Emanuel. Já a Imperador foi deflagrada em 2015 para apurar um suposto desvio de R$ 62 milhões na Assembleia Legislativa, na época comandada pelo ex-deputado José Riva.

Conforme o cabo Gerson Correa, as placas utilizadas no escritório de arapongagem para escuta telefônicas ilegais eram do Gaeco, e foram cedidas pelo então chefe do MPE Paulo Prado.

Não podemos afirmar que aquelas placas utilizada por aquele escritório criminoso de interceptação telefônica são as mesmas que havia aqui no Ministério Público

De acordo com o procurado de Justiça Domingos Sávio, coordenador do Naco Criminal, não há uma conclusão sobre se as placas utilizadas para as escutas eram ou não do MPE. No entanto, pode-se afirmar que não há participação do ex-chefe do MPE. 

“Nós chegamos à conclusão de que não podemos afirmar que aquelas placas utilizada por aquele escritório criminoso de interceptação telefônica são as mesmas que havia aqui no Ministério Público. Mas se forem, porque os indícios apontam nessa direção, com certeza não há nenhuma relação entre a cessão dessas placas à Secretaria de Segurança Pública”, disse.

“Neste caso não há nenhuma dúvida que o doutor Paulo Prado não tem envolvimento com a instalação daquele escritório criminoso de interceptação telefônica”.

A investigação levantou que a placa foi cedida para a Secretaria de Estado de Segurança Pública no ano de 2010. No entanto, o escritório foi implantado apenas em 2014. 

“Ou seja, não foi alguém do Ministério Público que entregou essas placas para o fim de se instalar esse escritório criminoso. Isso ficou claro nas investigações feitas pelo Naco e pela Corregedoria. 

Nas outras duas sindicâncias foi constatado que os promotores atuaram dentro da legalidade.

“Misturou fantasia com realidade”

O procurador de Justiça, João Augusto Veras Gadelha, afirmou que o cabo Gerson Correa, em seu depoimento, utilizou de artifícios verídicos para contar uma história “fantasiosa”.

“Os militares mesclaram a realidade com fatos fantasiosos. As placas de fato foram entregues ao doutor Paulo Prado para realizar a cessão, e depois eles alteraram dizendo que eles repassaram para o escritório. Eles mesclaram a verdade com fantasia para dar credibilidade a versão apresentada no intuito de conseguir uma delação premiada aqui no Naco”, disse.


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