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/ ESCOLHA DO NOVO PGR

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04.09.2019 | 10h00
“Se Bolsonaro ignorar lista tríplice, enfraquece cerco à corrupção”
Procurador-chefe do Ministério Público de MT diz que órgão está fragmentado e precisa de uma liderança
Arquivo MidiaJur
O procurador-chefe do MPF em MT, Gustavo Nogami
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Prestes a ser reconduzido ao cargo por mais dois anos, o procurador-chefe do Ministério Público Federal em Mato Grosso Gustavo Nogami criticou a possibilidade de o presidente Jair Bolsonsaro (PSL) indicar alguém de fora da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para o posto de procurador-geral da República.

Ao longo dos últimos meses, o pesselista se encontrou três vezes com o subprocurador-geral da República Augusto Aras, que não está na lista, mas que se candidatou ao cargo.

Na votação interna, o resultado foi: Mário Bonsaglia, com 478 votos, Luiza Frischeisen, com 423, e Blaul Dallouol, com 422.

O presidente não é obrigado a indicar um dos integrantes da lista eleita pela ANPR. Mas desde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a escolha tem sido dentro dos três mais votados. A atual procuradora-geral Raquel Dodge deixa o cargo no próximo dia 17 de setembro.

Se ele escolher fora da lista tríplice, vai enfraquecer esse combate à corrupção

Ao MidiaNews, Nogami afirmou que escolher fora dos três mais votados da ANPR será enfraquecer o combate à corrupção.

Ele disse que a instituição passa por um momento de fragmentação e que não pode ser liderada por alguém que não tenha a intenção de continuar trabalhos como a da Lava Jato e, em Mato Grosso, a Ararath.

“O atual presidente foi eleito com base em uma plataforma política que privilegiava o combate à corrupção. Se ele escolher fora da lista tríplice, vai enfraquecer esse combate. E, dependendo de quem escolher, pode acabar com o trabalho coletivo desenvolvido”, disse.

“Inclusive, um procurador que foi escolhido fora da lista tríplice não terá a legitimidade e a liderança necessária para fazer com que a instituição continue. A instituição passa, hoje, por um momento de crise, em que se encontra bastante fragmentada. E a escolha de um chefe que não seja uma liderança vai intensificar essa segmentação e dificultar mais ainda o trabalho”, acrescentou.

Nogami afirmou que alguns membros do órgão que não estão na lista, mas que desejam a nomeação, chegaram a citar a descontinuidade de algumas forças-tarefas. Ele, entretanto, não citou nomes.

Instituição se encontra bastante fragmentada e a escolha de um chefe que não seja uma liderança vai intensificar essa segmentação

“Alguns dos nomes que estão se colocando à disposição do presidente, que não passaram pela aprovação da lista, já declararam que se forem escolhidos não continuarão com as forças-tarefas. Ou seja, extinguirão o trabalho feito pelo Ministério Público Federal. Com certeza, isso é motivo de bastante perigo”, afirmou.

“Se eventualmente um procurador-geral da República assume pensando em desaparelhar as forças-tarefas com certeza vai conseguir interromper esse trabalho que tem sido desenvolvido com bons frutos ao País”, disse.

Para Nogami, a escolha dentro da lista tríplice possibilitou uma série de ações do MPF contra forças econômicas ou detentores de poder.

“Por isso, os procuradores da República estimam tanto a lista tríplice e pedem que o presidente da República prestigie esse instrumento de democracia interna e de fortalecimento da instituição para continuidade de seu trabalho. E é por isso que entendemos que a lista tríplice é tão importante não só para o Ministério Público, mas para sociedade, como garantidor da independência”, completou.


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