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10.07.2019 | 15h32
Juiz acata denúncia e mantém presos Arcanjo, genro e mais 11
Em sua decisão, magistrado escreveu que "organização criminosa" se vale de práticas violentas
Alair Ribeiro/MidiaJur
O ex-comendador João Arcanjo, que está preso na Penitenciária Central do Estado
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O juiz Jorge Luiz Tadeus Rodrigues, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) referente à ação penal proveniente da Operação Mantus.

Com isso tornaram-se réus o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, seu genro Giovanni Zem Rodrigues, o empresário Frederico Müller Coutinho e outras 30 pessoas. Sendo que 14 delas são ligadas à empresa Colibri e 19 à FMC Ello.

A operação, deflagrada em 29 de maio, prendeu membros dos dois grupos (Colibri de Arcanjo e FMC Ello de Coutinho) acusados de envolvimento com lavagem de dinheiro e jogo do bicho em Mato Grosso.

Os dois grupos se rivalizariam no controle do jogo do bicho em Mato Grosso, segundo as investigações.

Os processos correm em segredo de Justiça. No entanto, a reportagem teve acesso à decisão referente ao grupo Colibri, liderado por Arcanjo e o genro.

Do grupo, além deles, foram denunciados Mariano Oliveira da Silva, Agnaldo Gomes de Azevedo, Noroel Braz da Costa Filho, Adelmar Ferreira Lopes, Sebastião Francisco da Silva, Marcelo Gomes Honorato, Paulo Cesar Martins, Breno Cesar Martins, Bruno Cesar Aristides Martins, Augusto Matias Cruz, José Carlos de Freitas e Valcenir Nunes Inerio.

Em relação ao grupo FMC, a reportagem apurou que o magistrado também acatou a denúncia do Ministério Público Estadual.

“Os elementos informativos coletados apontam que organização criminosa identificada como Colibri se vale de práticas violentas, como extorsão mediante sequestro ameaças, para manter o monopólio da região comandada, estabelecendo uma verdadeira concorrência entre as organizações na manutenção dos pontos de jogos, bem assim, na aquisição de novos pontos”, escreveu o magistrado.

O juiz não analisou o pedido dos promotores para que os bens móveis e imóveis apreendidos durante a operação fossem repassados para o Estado.

"Quanto ao pedido de decretação de perda de todos os bens móveis imóveis, objeto da Medida Cautelar n. 575487, em favor Estado de Mato Grosso, postergo a sua análise por ocasião da sentença penal”.

Decisão

Jorge Tadeu cita que no cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas residências dos membros da suposta organização criminosa foram encontrados diversos documentos e materiais que comprovariam a prática do jogo do bicho.

“Como foi o caso das planilhas de controle financeiro, sendo cada planilha referente uma cidade do norte do Estado, apreendidas nas residências de Giovanni Zem Rodrigues e Mariano Oliveira da Silva”, apontou o magistrado.

É citado ainda que no quarto de Arcanjo foi encontrado o montante de quase R$ 200 mil. “Nota-se que foram apreendidos em seu quarto, bem assim na sala em que desempenhava sua atividade lícita, na Empresa Estacione, grande valor monetário, em espécie, cuja origem deverá ser auferida no curso da instrução processual”.

“Portanto, as provas até agora colhidas indicam para participação dos réus na organização criminosa, apontando veementes indícios da autoria materialidade delitiva, de modo que, ao meu sentir, permanecem inalterados fortalecidos os fundamentos que levaram ao decreto da prisão preventiva destes réus”.

O magistrado ainda lembrou que, durante interrogatório policial, todos os membros da empresa Colibri optaram em ficar em silêncio. À exceção de João Arcanjo, que negou todas as acusações.

“Some-se, ainda, a estes fundamentos fato de que todos réus, ao serem ouvidos perante autoridade policial, manifestaram desejo de permanecerem silentes, deixando de contribuir com as investigações, que não deixa de ser sintomático de que agem combinados e em favor da organização criminosa que pretendem proteger”.

“O único acusado que prestou depoimento à autoridade policial foi João Arcanjo Ribeiro. Todavia as suas declarações em nada contribuíram para as investigações”, disse Jorge Tadeu.

Operação Mantus

A Operação Mantus prendeu, além de Arcajo, o genro dele, Giovanni Zem - ambos acusados de chefiar a "Colibri" - o empresário Frederico Müller Coutinho, apontado como líder da organização FMC Ello. Os dois grupos, segundo a Polícia Civil, disputavam "acirradamente" o espaço do jogo do bicho no Estado.

Segundo o delegado Luiz Henrique Damasceno, a investigação começou em agosto de 2017, quando a Polícia Civil recebeu uma denúncia de um colaborador que não quis se identificar sobre a permanência e continuidade do jogo do bicho em Cuiabá.

No total, a operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. Todos os presos foram denunciados, posteriormente, pelo Ministério Público Estadual por, entre outras coisas, integração de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro.

Leia mais sobre o assunto:

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