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05.06.2019 | 15h33
Rival de Arcanjo é interrogado pela Defaz, mas fica em silêncio
Líder e acusados de integrar organização criminosa prestaram depoimento na manhã desta quarta-feira (5) na Defaz

Alair Ribeiro/MidiaJur
O empresário Frederico Müller Coutinho: "Nada a declarar"
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O empresário Frederico Müller Coutinho, acusado de chefiar uma organização criminosa do jogo do bicho, e mais dois acusados de integrar o grupo, foram interrogados pela Delegacia Fazendária (Defaz), na manhã desta quarta-feira (5).  

Muller e os dois, o “arrecadador” Edson Nobuo Yabumoto e Eduardo Coutinho dos Santos, foram presos na “Operação Mantus”, deflagrada na última quarta-feira (29). Eles são investigados por integrarem uma organização denominada “FMC Ello”, envolvida com lavagem de dinheiro e jogo do bicho em Mato Grosso.

Na saída da sede da delegacia, Frederico Müller restringiu a falar aos jornalistas: “Nada a declarar”.

Um dos membros [Edson Nobuo] ratificou aquilo que está no relatório. Obviamente está objetivando uma liberdade mais a frente. O outro e Frederico ficaram em silêncio

Conforme o delegado Luiz Henrique Damasceno, titular da Defaz, o líder da FMC Ello usou seu direito de ficar em silêncio.

“O líder da organização ficou em silêncio. Um dos membros [Edson Nobuo] ratificou aquilo que está no relatório. Obviamente está objetivando uma liberdade mais a frente. O outro e Frederico ficaram em silêncio, e disseram que irão falar só em juízo em razão da complexidade dos fatos”, disse o delegado Damasceno.

Aos oficiais, Edson Nobuo confessou sua participação como “arrecadador” na região de Tangará da Serra (a 241 km de Cuiabá).

“Não trouxe novidade, só corroborou com as investigações. Ele confirmou a participação de todos que ele tinha acesso a organização, e confirmou a participação do Frederico como líder. De acordo com ele, a renda dele era variável, até porque o pessoal da Colibri, no município que ele arrecadava, tinha mais força”, disse o delegado.

CCC

Por possuir ensino superior, o empresário Frederico Müller está detido no Centro de Custódia da Capital (CCC). Os outros acusados, Edson Nobuo e Eduardo Coutinho, estão presos na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Os próximos depoimentos devem ocorrer na tarde desta quinta-feira (6). Os oficiais ouvirão o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, apontado como o “cabeça” da Colibri e mais dois acusados de integrar a organização. 

Segundo a Defaz, o grupo de Müller atuava como “rival” da empresa Colibri, supostamente coordenado pelo ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, e seu genro Giovanni Zem Rodrigues – também detidos na operação.

Veja vídeo:

A operação 

Além do grupo que seria comandado por Müller, a operação também atingiu outra suposta organização que seria liderada pelo bicheiro João Arcanjo e seu genro Giovanni Zem Riberio, a Colibri. Segundo a Polícia Civil, os dois grupos disputavam "acirradamente" o espaço do jogo do bicho no Estado.

De acordo com o delegado Luiz Henrique Damasceno, a investigação começou em agosto de 2017, quando a Polícia Civil recebeu uma denúncia de um colaborador - que não quis se identificar - sobre a permanência e continuidade do jogo do bicho em Cuiabá. 

No total, a operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. 

As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais 5 cidades do interior do Estado. 

Arcanjo foi preso na sua residência, na Capital, assim como Frederico. Já Giovanni foi preso no Aeroporto de Guarulhos (SP), com o apoio da Polícia Federal.

Os suspeitos devem responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

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