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/ CASO SCHEIFER

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07.05.2019 | 17h33
TJ manda soltar 3 PMs acusados pela morte de tenente do Bope
Eles estão detidos desde março, quando o juiz Marcos Faleiros, emitiu mandado de prisão
Alair Ribeiro/MidiaJur
O desembargador Orlando Perri
CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a soltura dos policias militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino na tarde desta terça-feira (7). 

Os três são acusados pelo assassinato do tenente Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, em maio de 2017. Eles estão detidos desde março de 2019, quando o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, emitiu os mandados de prisão.

O habeas corpus dos três começou a ser julgado na última terça-feira (30), mas a apreciação foi suspensa devido ao pedido de vista do desembargador Orlando Perri. 

Na ocasião, Paulo da Cunha, relator do caso, defendeu que caso soltos os policiais podem destruir provas e intimidar testemunhas durante o decorrer do processo.

Procurei examinar procurando minúcias, no relatório pela Corregedoria da Polícia Militar, eu cheguei a conclusão, pelo menos, a vista das provas até aqui existentes que a morte do tenente Scheifer foi um lamentável acidente. Todas as circunstancia para mim convergem nesse sentido

O desembargado Orlando Perri, no entanto, entendeu que as provas contidas nos autos atestam que o assassinato de Scheifer foi um “lamentável acidente”.

“Procurei examinar procurando minúcias no relatório pela Corregedoria da Polícia Militar. Eu cheguei à conclusão, pelo menos à vista das provas até aqui existentes, que a morte do tenente Scheifer foi um lamentável acidente. Todas as circunstancia para mim convergem nesse sentido”, disse o desembargador Perri.

“Não estou aqui a isentar os pacientes de qualquer crime, absolutamente! Estou a afirmar que ao meu modo de ver, ao menos as provas colacionadas neste writ não há evidências de que eles tenham planejado a executar seu superior”, complementou.

O voto de Perri foi acompanhado pelo juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, sendo voto vencido o relator.

Origem do conflito

Segundo o Ministério Público, os fatos começaram com a perseguição da viatura da polícia, cuja equipe estava sob o comando da vítima, a dois automóveis - um Nissan Frontier e o outro um Mitsubishi L-200 Triton - nos quais estavam os suspeitos de roubo.

Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram fazendo vários disparos contra os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas.

Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado como Agnailton Souza dos Santos, foi preso.

Consta na denúncia que a partir das informações obtidas no interrogatório do  acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer fez o cerco policial a um imóvel localizado em um bairro na cidade de Matupá, para prender outros suspeitos.    

Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado fugir e foi atingido por um disparo de fuzil pelo cabo Lucélio Gomes Jacinto, morrendo em seguida. 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Joailton Lopes, Werney Cavalcante Jovino Lucélio Jacinto - Caso Scheifer

Os policiais militares Joailton Lopes, Werney Cavalcante Jovino e Jucélio Gomes Jacinto

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, TEN Scheifer, e o denunciado CB PM Lucélio Gomes Jacinto, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido BO, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

Segundo ele, testemunhas relaram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido às portas fechadas para conversar sobre o ocorrido. 

Morte de Scheifer

No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, o tenente Scheifer foi atingido por um disparo na região abdominal.

Inicialmente, conforme o Ministério Público, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo efetuado por suspeito não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia.

Após a realização do laudo pericial, ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo Lucélio  Jacinto. 

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o TEN Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado CB PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do TEN Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro 'vietnamita' (uma forma de posição de ataque)”, sustentou.

Leia mais sobre o assunto:

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